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Cuidados Paliativos, área da ciência que busca dar qualidade de vida para os pacientes

O cuidado em saúde vai muito além do conhecimento técnico: exige comunicação, escuta, tomada de decisão compartilhada e trabalho em equipe

Saúde Em Evidência
Por: Saúde Em Evidência Fonte: Cecília Emerick Mendes Vaz
14/10/2026 às 10h36 Atualizada em 14/10/2026 às 17h05
Cuidados Paliativos, área da ciência que busca dar qualidade de vida para os pacientes
A médica paliativista dra. Cecília Emerick Mendes Vaz

Os Cuidados Paliativos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), “são uma abordagem que melhora a qualidade de vida dos pacientes (adultos e crianças) e de suas famílias que enfrentam problemas associados a doenças potencialmente fatais.” 

Sempre me soa revolucionário o que esta área de atuação tão nobre e importante propõe. Mas, segundo o psicólogo francês Laurent Quercioli, “os Cuidados Paliativos não são o Progresso: são a Resistência”. A frase, com livre tradução, define o trabalho dessas equipes que lutam pela “desesterilização” do processo de morrer. 

Com o passar do tempo, os avanços tecnológicos e as inúmeras possibilidades terapêuticas (todas elas absolutamente bem-vindas!) mudaram a relação da sociedade com a morte de forma muito profunda: a medicalização do final da vida, a hospitalização terminal e a delegação de cuidado às equipes de saúde trouxeram um distanciamento emocional e prático sobre as demandas humanas desse momento tão individual quanto universal. 

Os Cuidados Paliativos resgatam a natureza dessa experiência, possibilitando o enfrentamento do sofrimento de quem vai e quem fica, por meio de técnicas de comunicação, medicina baseada em evidências e, principalmente, o exercício da compaixão. 

Parece pouco profissional se falar em compaixão no mundo da medicina moderna, mas, novamente utilizando as palavras de Laurent, “em uma mão colocada sobre a testa úmida há mais metafísica do que em todas as bibliotecas juntas.” 

Perguntas vêm à cabeça: Em que momento deixamos de lado o poder da presença? Quando passamos a valorizar mais o uso de medicamentos e intervenções do que os valores e prioridades de cada paciente? Por que nosso plano de cuidados muitas vezes não olha para a biografia e desejos de cada um, mas para números e estatísticas isoladamente?

Seja em fase inicial de doenças irreversíveis ou no processo ativo de morte, os Cuidados Paliativos são um caminho de coragem. 

A coragem de viver a dor, de suportar o desespero, de encarar a fragilidade e não virar o rosto para a falta de controle que a vida impõe. Mas a beleza vem de não fazer nada disso sozinho. Em poder contar com profissionais dedicados a aliviar o processo, a caminhar de mãos dadas até o suspiro final. De saber que há alguém nos bastidores dessa história garantindo que nada falte mesmo quando as coisas fogem do roteiro planejado. De saber que é possível construir um legado de amor e resiliência no meio da dor. 

Há muita técnica nos Cuidados Paliativos: desde o manejo assertivo de medicamentos para controle de sintomas até o entendimento e intervenção no sofrimento emocional, espiritual ou social de cada paciente. Há a investigação do sofrimento financeiro, sexual ou existencial. Mas para além de tudo isso, há a retomada cultural intrínseca à proposta de se reaproximar da morte de peito aberto em um mundo que insiste em formalizar nossos momentos finais.

O cuidado em saúde vai muito além do conhecimento técnico. Ele também exige comunicação, escuta, tomada de decisão compartilhada e trabalho em equipe.

Com esse propósito, a Casa de Stela promove no dia 3 de novembro o Workshop Internacional de Aprimoramento em Cuidados Paliativos, conduzido pelo Dr. Frank Ferris, uma das principais referências mundiais em educação em cuidados paliativos.

Ao longo de um dia de atividades práticas, os participantes irão discutir casos reais, aperfeiçoar habilidades de comunicação, aprofundar o manejo de sintomas complexos, refletir sobre dilemas éticos e fortalecer atuação interdisciplinar. O evento contará com tradução simultânea e as inscrições já estão abertas. Clique aqui para mais informações.

 

(*) Cecília Emerick Mendes Vaz é hematologista, médica paliativista e co-Fundadora da Casa de Stela, empresa de Cuidados Paliativos Domiciliares do Rio de Janeiro. É coordenadora do Comitê de Hematologia da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP) e membro do Comitê de Cuidados Paliativos da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH), além de membro do Comitê de Cuidados Paliativos da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).

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É um espaço dentro Brazil Em Evidência dedicado ao cuidado e ao bem-estar da humanidade, trazendo artigos exclusivos assinados por médicos de diversas especialidades. A coluna compartilha informações qualificadas sobre prevenção, tratamentos, avanços da ciência e qualidade de vida.
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