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Morre Oswaldinho do Acordeon, sanfoneiro que inovou o forró, aos 72 anos

Sanfoneiro e compositor, construiu carreira de seis décadas e inovou ao aproximar a música nordestina do jazz, blues e música clássica

Graciela Binaghi
Por: Graciela Binaghi
26/10/2026 às 00h08
Morre Oswaldinho do Acordeon, sanfoneiro que inovou o forró, aos 72 anos
Oswaldinho do Acordeon - Foto: Acervo pessoal

O sanfoneiro e compositor Oswaldo de Almeida e Silva, conhecido como Oswaldinho do Acordeon, morreu neste domingo (25 de outubro), aos 72 anos. Filho do também sanfoneiro Pedro Sertanejo, o músico construiu uma carreira de seis décadas e tornou-se referência da música nordestina ao explorar novas possibilidades para a sanfona, aproximando o forró de gêneros como jazz, blues, rock e música clássica. Ele deixa a esposa, Janilda Luzia de Albuquerque e Silva, e as filhas Samanta e Sarah Albuquerque.

Nascido em 5 de julho de 1954, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Oswaldinho cresceu em um ambiente musical. Seu pai, Pedro Sertanejo (1927–1997), teve papel importante na divulgação do forró em São Paulo e proporcionou ao filho o contato com artistas como Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Sivuca.

O interesse pela sanfona surgiu na infância. Incentivado pelo pai, Oswaldinho aprendeu a tocar de maneira autodidata e iniciou cedo sua trajetória profissional. Aos nove anos, participou de uma gravação de Pedro Sertanejo. Em 1966, lançou seu primeiro single, dando os primeiros passos de uma carreira que alcançaria o público brasileiro e internacional.

Na década de 1970, lançou discos como Fantástico Oswaldo Silva (1973), Só Quero um Xodó (1974) e Oswaldinho (1975), pela gravadora Tropicana. Depois, vieram Forró Pop (1977), Lágrimas de Namorados (1978) e Natureza (1979), pela Copacabana. Em 1981, com Forró in Concert, ampliou sua presença no cenário internacional e abriu caminho para apresentações em festivais europeus.

A experimentação musical tornou-se uma das marcas de sua obra. Sem abandonar as raízes nordestinas, Oswaldinho incorporou diferentes influências aos arranjos e demonstrou a versatilidade da sanfona em trabalhos como Asa Branca Blues (2002) e Forró Chorado (2011).

Em 2004, reuniu-se a Dominguinhos e Sivuca no álbum Cada Um Belisca um Pouco, lançado pela gravadora Biscoito Fino. O projeto destacou a diversidade de estilos e interpretações de três instrumentistas fundamentais para a história da sanfona brasileira.

Ao longo de seis décadas, Oswaldinho do Acordeon contribuiu para ampliar os horizontes do forró e consolidar a sanfona como instrumento capaz de transitar por diferentes linguagens musicais. Sua trajetória deixa uma obra que combina tradição e inovação e mantém viva sua contribuição para a música brasileira.

Graciela Binaghi
Graciela Binaghi
É jornalista formada em Comunicação Social pela Universidad de Buenos Aires (UBA) e atua na área desde 1974 em diversos segmentos, como mercado, eventos, cultura, música e entretenimento. Colunista do Brazil Em Evidência escreve sobre cultura, entretenimento e temas variados.
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