
O segundo turno das eleições de 2026 registrou uma redução no número de brasileiros que deixaram de comparecer às urnas. De acordo com os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e repercutidos pela imprensa neste domingo (25), a taxa de abstenção ficou em aproximadamente 19,21%, o equivalente a cerca de 30,4 milhões de eleitores. O percentual considera os resultados divulgados durante a apuração, ainda sujeitos à consolidação final.
O resultado representa uma queda em relação ao primeiro turno, realizado em 4 de outubro, quando 33,47 milhões de pessoas não compareceram para votar. Naquela ocasião, a abstenção chegou a 21,08%, um dos maiores índices registrados em eleições gerais no país.
Na comparação entre as duas etapas da votação, a taxa de abstenção diminuiu aproximadamente 1,87 ponto percentual. Em números absolutos, cerca de três milhões de eleitores a menos deixaram de comparecer no segundo turno. A mudança indica que, apesar do elevado número de ausências, houve maior participação dos brasileiros na votação decisiva.
A redução chama a atenção porque, historicamente, o segundo turno costuma registrar uma abstenção maior do que a primeira etapa das eleições presidenciais. Em 2018, por exemplo, o percentual passou de 20,33% no primeiro turno para 21,30% no segundo. Em 2014, a taxa subiu de 19,39% para 21,10%. Já em 2022, houve uma pequena queda: a abstenção passou de aproximadamente 20,95% para 20,59%.
Em 2026, portanto, a diminuição foi mais expressiva do que a observada na eleição presidencial anterior. A mobilização das campanhas e o acirramento da disputa estão entre os fatores apontados pela imprensa e por analistas para explicar o aumento da participação eleitoral.
Considerando os segundos turnos das eleições presidenciais desde a redemocratização, o índice de 2026 está entre os menores já registrados. A taxa de aproximadamente 19,21% é inferior à observada em 2010, quando a abstenção foi de 21,50%; em 2014, quando chegou a 21,10%; em 2018, quando atingiu 21,30%; e em 2022, quando ficou em cerca de 20,59%.
Entretanto, o percentual deste ano não representa o menor índice de toda a série histórica. Em 1989, a primeira eleição presidencial direta após o regime militar, a abstenção no segundo turno foi de aproximadamente 14,39%. Em 2006, o percentual também foi ligeiramente menor do que o atual, ficando em torno de 18,99%. Assim, o resultado de 2026 é o menor desde 2006, mas não supera os registros de 1989 e 2006.
Os números também ajudam a dimensionar o desafio de ampliar a participação política no Brasil. Embora o voto seja obrigatório para a maior parte dos eleitores, milhões de pessoas não comparecem às urnas a cada eleição. A abstenção, porém, não deve ser confundida com votos brancos ou nulos: nesses dois últimos casos, o eleitor comparece à seção eleitoral, mas não escolhe nenhum dos candidatos na disputa.
O balanço de 2026 mostra, portanto, dois movimentos importantes: o primeiro turno teve um percentual elevado de ausências, enquanto o segundo registrou uma recuperação na participação dos eleitores. A consolidação definitiva dos dados pelo TSE permitirá confirmar os números finais e estabelecer a comparação oficial com os pleitos anteriores.