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TRE-BA determina prisão de secretário após crise no transporte em Salvador

Redução na circulação de ônibus, em Salvador, durante o segundo turno das eleições de 2026 provocou denúncias, troca de acusações políticas e uma decisão da Justiça Eleitoral para garantir o deslocamento dos eleitores

André Rossanez
Por: André Rossanez
25/10/2026 às 17h45
TRE-BA determina prisão de secretário após crise no transporte em Salvador
Foto: Divulgação

 A votação do segundo turno das eleições presidenciais de 2026 foi marcada por uma polêmica envolvendo o transporte público de Salvador, na Bahia. Neste domingo, 25 de outubro, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, após denúncias de que a frota de ônibus da capital baiana estava circulando em quantidade inferior à necessária para atender à população.

A decisão foi tomada pelo presidente do TRE-BA, desembargador Maurício Kertzman Szporer, depois que a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, acionou a Justiça Eleitoral. A entidade alegou que a quantidade de ônibus em circulação estava reduzida em mais de 50% em comparação com os dias úteis, dificultando o deslocamento de eleitores até os locais de votação.

De acordo com informações divulgadas pela Agência Brasil, uma inspeção realizada por um juiz auxiliar na sede do sistema BRT encontrou diversos veículos parados. Um supervisor do local teria informado que a frota em operação seguia orientação da Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob).

Diante dos relatos e das evidências apresentadas, a Justiça Eleitoral determinou o restabelecimento imediato de 100% da frota, com frequência equivalente à dos dias úteis e gratuidade das passagens. A decisão também estabeleceu multa de R$ 1 milhão por hora em caso de descumprimento, além de determinar providências para fiscalizar a retomada do serviço.

A repercussão atingiu diretamente o prefeito de Salvador, Bruno Reis, do União Brasil. A federação partidária também pediu medidas contra o chefe do Executivo municipal, alegando que a situação poderia prejudicar o exercício do direito ao voto. Entretanto, a ordem de prisão divulgada pelo tribunal foi direcionada ao secretário Pablo Souza.

Em sua defesa, Bruno Reis afirmou que parte dos ônibus permaneceu nas garagens por causa de problemas operacionais e de uma mobilização envolvendo sindicalistas que teriam colocado adesivos relacionados ao PT nos veículos. Segundo o prefeito, as empresas teriam retido os coletivos até a retirada do material, para evitar problemas relacionados à propaganda eleitoral irregular.

O prefeito também declarou que a situação havia sido normalizada e que os ônibus estavam disponíveis para transportar os eleitores gratuitamente. A Secretaria Municipal de Mobilidade, por sua vez, informou que havia determinado a liberação dos veículos, mesmo daqueles que apresentavam adesivos considerados irregulares, priorizando o deslocamento da população.

A polêmica provocou ainda uma troca de acusações entre Bruno Reis e o senador eleito Rui Costa, do PT, que atua na coordenação da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva na Bahia. O petista criticou a conduta do prefeito diante dos problemas registrados, enquanto Reis reagiu com declarações ofensivas contra o adversário político.

Outro ponto que ampliou a repercussão foi a informação de que Pablo Souza estava na França, com retorno ao Brasil previsto para segunda-feira, dia 26. Bruno Reis saiu em defesa do secretário e afirmou que seus advogados buscariam medidas judiciais para tentar evitar o cumprimento da ordem de prisão.

O caso também chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que solicitou informações urgentes sobre as condições do transporte durante a votação na Bahia. A situação levantou questionamentos sobre a responsabilidade do poder público em garantir condições adequadas de deslocamento nos dias de eleição.

A controvérsia reforça a importância do transporte coletivo para o exercício da cidadania, especialmente em grandes cidades, onde milhares de pessoas dependem dos ônibus para chegar às seções eleitorais. Embora a Prefeitura tenha afirmado que a operação estava sendo normalizada, a decisão do TRE-BA colocou a administração municipal sob pressão para demonstrar que o serviço funcionaria de maneira adequada durante o restante da votação.

André Rossanez
André Rossanez
É Jornalista há 10 anos e criador do Portal Me Gusta. Colunista do Brazil Em Evidência, escreve sobre música e entretenimento com foco em análises, novidades e bastidores da cena cultural.
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