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Benito di Paula: a trajetória de um ícone do Samba 

Cantor e compositor conquistou gerações com seu piano inconfundível, sucessos como “Retalhos de Cetim” e um estilo que marcou a história da música popular brasileira

André Rossanez
Por: André Rossanez
19/10/2026 às 14h26
Benito di Paula: a trajetória de um ícone do Samba 
Foto: Divulgação

O Brasil se despede de Benito di Paula, um dos artistas mais singulares de sua geração. O cantor e compositor morreu aos 84 anos, deixando uma trajetória marcada pelo romantismo, pela originalidade e por uma maneira própria de interpretar o Samba. Com sua voz característica e o piano sempre presente nas apresentações, conquistou o público e transformou suas composições em sucessos que atravessaram décadas.

Nascido Uday Veloso, em 28 de Novembro de 1941, em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, Benito cresceu em uma família numerosa e musical. Influenciado pelo pai, desenvolveu desde cedo sua relação com os instrumentos. Antes de alcançar o reconhecimento nacional, trabalhou como crooner em casas noturnas e passou por diferentes cidades até consolidar sua carreira em São Paulo.

O grande sucesso veio nos anos 1970, com “Retalhos de Cetim”, canção que se tornou sua assinatura artística. A composição retrata uma desilusão amorosa durante o Carnaval e conquistou o público ao combinar a melancolia da letra com a força do samba. O sucesso ultrapassou as fronteiras brasileiras e ganhou versões internacionais, ampliando a projeção do artista.

Entre os principais títulos de seu repertório estão “Meu Amigo Charlie Brown”, “Do Jeito Que a Vida Quer”, “Mulher Brasileira”, “Tudo Está no Seu Lugar”, “Se Não For Amor”, “Vai Ficar na Saudade” e “Proteção às Borboletas”. Suas interpretações ao piano ajudaram a estabelecer uma identidade sonora inconfundível, aproximando o samba de elementos românticos e de outras influências.

Benito também ficou associado ao chamado samba-jóia, vertente popular que ganhou força na década de 1970. Entretanto, sua carreira demonstrou que seu trabalho não cabia facilmente em uma única classificação. Com arranjos próprios e interpretações intensas, ele conquistou espaço e construiu uma relação duradoura com diferentes públicos.

A família ocupou um lugar importante em sua vida. Seu filho, Rodrigo Vellozo, seguiu seus passos como cantor e pianista, tornando-se parceiro artístico do pai. Em 2021, os dois lançaram o projeto “O Infalível Zen”, reafirmando a conexão entre diferentes gerações por meio da arte.

Em entrevista ao Gshow, Benito resumiu parte de sua formação ao afirmar: “Aprendi música com o meu pai”. Em outra ocasião, destacou a importância da família: “Quando você faz as coisas pensando na sua família, você faz as coisas certas”. As declarações revelam valores que acompanharam o artista ao longo de sua trajetória.

Uma curiosidade foi sua apresentação em uma aldeia indígena, para a qual a equipe precisou transportar o piano e os equipamentos de som em um caminhão. Benito contou que ficou especialmente marcado ao perceber que os moradores conheciam e cantavam suas composições, uma demonstração do alcance popular de seu repertório.

Em 2025, sua história ganhou destaque no Carnaval de São Paulo, quando a Escola de Samba, Águia de Ouro apresentou o enredo “Em Retalhos de Cetim, a Águia de Ouro do Jeito que a Vida Quer”. A homenagem celebrou sua contribuição à cultura brasileira. Benito participou do desfile ao lado do filho e se emocionou com o reconhecimento.

Em 2026, a trajetória do cantor voltou a ser celebrada com o espetáculo “Benito 85”, idealizado por Rodrigo Vellozo e acompanhado de um álbum. O projeto reforçou a importância de preservar e apresentar suas composições às novas gerações.

Benito di Paula deixa uma discografia que retrata amores, desilusões, saudade e situações do cotidiano, sentimentos que ajudaram a aproximar suas canções de pessoas de diferentes idades. Sua maneira de tocar piano e interpretar cada composição tornou-se uma de suas principais marcas.

Sua partida representa uma perda para a cultura brasileira. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Benito conquistou um espaço próprio na música popular e construiu uma história que permanecerá associada a grandes sucessos, apresentações memoráveis e à personalidade de um artista que nunca precisou abrir mão de seu estilo.

André Rossanez
André Rossanez
É Jornalista há 10 anos e criador do Portal Me Gusta. Colunista do Brazil Em Evidência, escreve sobre música e entretenimento com foco em análises, novidades e bastidores da cena cultural.
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