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Eleições 2026, 1º turno: brasileiros no exterior revelam disputa dividida entre Lula e Flávio Bolsonaro

Com 58% das seções contabilizadas, Lula lidera a apuração parcial no exterior, enquanto Flávio Bolsonaro registra vantagem expressiva em países como Japão

André Rossanez
Por: André Rossanez
04/10/2026 às 18h43 Atualizada em 04/10/2026 às 19h40
Eleições 2026, 1º turno: brasileiros no exterior revelam disputa dividida entre Lula e Flávio Bolsonaro
Foto: Divulgação

A votação dos brasileiros que vivem no exterior apresentou, neste domingo (4), um cenário dividido na disputa pela Presidência da República no primeiro turno das Eleições 2026.

Com 786 das 1.351 seções eleitorais instaladas fora do Brasil contabilizadas, o equivalente a 58,18% do total, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece na liderança da apuração parcial, com 112.571 votos (52,64% dos válidos). Flávio Bolsonaro (PL) soma 80.728 votos, correspondentes a 37,75%. Os números são parciais e continuam sendo atualizados pela Justiça Eleitoral.

O eleitorado brasileiro no exterior reúne 918.876 pessoas aptas a votar neste primeiro turno, distribuídas por 186 cidades de 134 países. Fora do território nacional, o voto é destinado exclusivamente aos cargos de presidente e vice-presidente da República. Os maiores eleitorados estão nos Estados Unidos, em Portugal e no Japão.

A diferença de fuso horário fez com que as urnas de diversos países da Ásia e da Oceania fossem encerradas antes das seções brasileiras. Com isso, os primeiros boletins de urna começaram a revelar o comportamento do eleitorado brasileiro no exterior ainda durante a votação no Brasil.

Entre os resultados já consolidados por país, Lula aparece à frente em um número maior de nações. Levantamentos realizados a partir dos boletins de urna indicavam vantagem do petista em 27 países, enquanto Flávio Bolsonaro liderava em nove. Como a apuração ainda estava em andamento, esse levantamento por países não representa a totalização definitiva do exterior.

Um dos principais destaques da apuração no exterior foi o Japão. Com as seções do país encerradas, Flávio Bolsonaro registrou 24.601 votos, equivalentes a 71,59% dos válidos, contra 5.222 votos de Lula, que ficou com 15,20%. O país possui mais de 88 mil brasileiros aptos a votar.

O resultado japonês teve peso significativo nas primeiras parciais porque o país possui um dos maiores eleitorados brasileiros fora do Brasil. Além do Japão, Flávio também apareceu à frente em locais como Israel, Catar, Emirados Árabes Unidos, Filipinas, Tailândia e Taiwan, de acordo com os boletins já disponibilizados.

O desempenho de Lula foi mais forte em diferentes países da Oceania, Ásia e Europa. Na Nova Zelândia, o petista recebeu 234 votos, ou 70,48% dos válidos, contra 64 de Flávio Bolsonaro, que teve 19,28%. Na Coreia do Sul, Lula somou 123 votos (56,94%), enquanto Flávio registrou 72 (33,33%).

Na Austrália, uma das maiores comunidades eleitorais brasileiras da região, as primeiras apurações também apontaram vantagem de Lula. Em uma atualização parcial, o petista tinha 5.283 votos contra 2.022 de Flávio Bolsonaro.

Outros resultados divulgados ao longo do dia mostraram Lula à frente na Malásia, Singapura, China continental, Síria, Palestina e Arábia Saudita. Na China continental, por exemplo, os votos contabilizados em Pequim, Xangai e Cantão somavam 268 para Lula contra 98 para Flávio.

Na Europa, também houve resultados expressivos para o petista. Na Alemanha, Lula recebeu 15.169 votos (74,43%), enquanto Flávio Bolsonaro teve 3.488 (17,12%) entre as seções consideradas na apuração divulgada. França, Espanha, Países Baixos e Turquia também apareceram entre os países onde Lula terminou à frente nos resultados já reunidos.

O eleitorado brasileiro no exterior cresceu de forma significativa nos últimos anos. Em 2022, aproximadamente 697 mil brasileiros estavam habilitados a votar fora do país. Para 2026, o número chegou a 918.876, crescimento de mais de 220 mil eleitores em quatro anos. Na última década, o eleitorado exterior praticamente dobrou: em 2014, eram pouco mais de 354 mil pessoas.

Do total registrado para 2026, aproximadamente 57% são mulheres e 43% são homens. O maior grupo etário está entre 40 e 44 anos, seguido pelas faixas de 45 a 49 e de 35 a 39 anos. Cerca de 38% possuem ensino superior completo.

Durante o domingo, também foram registradas mais de 124 mil justificativas de ausência por eleitores que estavam no exterior, segundo informações divulgadas durante o processo eleitoral. Esse número, entretanto, não deve ser confundido com a abstenção definitiva, que somente poderá ser avaliada de forma adequada após a consolidação dos dados eleitorais

A votação no exterior ocorre de acordo com o horário local de cada país, o que faz com que algumas urnas sejam encerradas muitas horas antes das brasileiras. Entretanto, a divulgação oficial da totalização presidencial pelo TSE começou às 17h, no horário de Brasília, com os dados sendo incorporados à medida que os boletins de urna são recebidos e processados.

Os boletins de urna permitem conferir quantos votos cada candidato recebeu em cada seção, além dos votos brancos e nulos. Os documentos também possuem QR Code, que pode ser utilizado para conferência dos dados publicados pela Justiça Eleitoral.

Até a atualização mais recente consultada, com 58,18% das seções do exterior contabilizadas, Lula tinha 112.571 votos, contra 80.728 de Flávio Bolsonaro. Augusto Cury (Avante) aparecia em terceiro, com 6.923 votos (3,24%), seguido por Renan Santos (Missão), com 5.986 (2,80%), e Ronaldo Caiado (PSD), com 3.024 (1,41%).

Os úmeros ainda são parciaisA apuração continuará até que todas as seções sejam totalizadas, e os percentuais e posições poderão mudar com a entrada dos votos restantes. O resultado do eleitorado no exterior integra a totalização nacional da eleição presidencial.

A votação dos brasileiros espalhados pelo mundo, portanto, já apresenta um retrato relevante do primeiro turno: Lula lidera a parcial em número de votos contabilizados, enquanto Flávio Bolsonaro registra vantagens expressivas em determinados colégios eleitorais. O cenário definitivo, porém, depende da conclusão da totalização de todas as seções instaladas fora do Brasil.