
O Outubro Rosa reforça que o autoexame ajuda a identificar alterações, mas não substitui a mamografia, que pode detectar tumores em estágios iniciais e reduzir a mortalidade por câncer de mama em até 40%. Segundo o INCA, o Brasil deve registrar 78.610 novos casos da doença por ano entre 2026 e 2028, o equivalente a 71,57 casos por 100 mil mulheres.
Para a médica ginecologista Roberta Brando, especialista na relação da mulher com o climatério, com a menopausa e especialista em terapia hormonal feminina, o principal ponto é entender que percepção corporal e rastreamento são estratégias complementares. “O autoexame não deve ser visto como um exame de rastreamento, porque ele costuma identificar alterações quando o tumor já pode ser palpável. A mamografia consegue encontrar lesões muito menores e, quanto mais cedo o câncer é descoberto, maiores são as possibilidades de tratamento menos agressivo e de cura. A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda mamografia anual para mulheres de risco habitual a partir dos 40 anos até os 74 anos, enquanto o INCA mantém a recomendação de rastreamento dos 50 aos 69 anos, a cada dois anos, no âmbito de suas diretrizes para o SUS”, indica.
A idade é o principal fator de risco para o câncer de mama, mas alterações genéticas e fatores como sedentarismo, consumo de álcool e excesso de peso também aumentam o risco, enquanto atividade física, peso adequado e amamentação estão associados à proteção. “O desafio, no meu ponto de vista, não está apenas em ensinar a mulher a se examinar, mas em garantir acesso ao rastreamento, avaliação médica e tratamento no momento em que a doença ainda oferece as melhores perspectivas de controle”, finaliza a ginecologista.