
O Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense, iniciou uma nova operação voltada ao abastecimento do agronegócio brasileiro. Na primeira semana de setembro, o complexo recebeu sua primeira carga de enxofre importado, produto utilizado na fabricação de fertilizantes fosfatados.
A carga inicial, de 1,5 mil toneladas, veio dos Estados Unidos e foi transportada pela Minas Port para abastecer o mercado interno. A operação faz parte de um projeto mais amplo, que prevê alcançar a movimentação de 300 mil toneladas de enxofre por ano.
Se a meta for alcançada, o volume representará aproximadamente 12% da demanda brasileira pelo insumo.
A entrada do Porto do Açu nesse mercado ocorre em um cenário de forte dependência brasileira das importações. Segundo dados apresentados pelo gerente do Terminal Multicargas (T-Mult), Gustavo Amaral, o Brasil importa mais de 90% do enxofre utilizado internamente.
O produto tem papel importante na cadeia de fertilizantes. O enxofre é utilizado na fabricação de ácido sulfúrico, empregado no processamento da rocha fosfática. O processo resulta em ácido fosfórico, componente utilizado na produção de fertilizantes fosfatados destinados a diferentes culturas agrícolas.
Essa dependência faz com que alterações no comércio internacional possam produzir efeitos sobre uma cadeia que começa nos portos e chega diretamente aos custos de produção do agronegócio.
A distância entre a carga inaugural e a meta projetada mostra a dimensão do projeto. As 1,5 mil toneladas recebidas na primeira operação correspondem a apenas uma pequena parcela das 300 mil toneladas que o Porto do Açu pretende movimentar anualmente.
Para chegar ao objetivo, o volume precisaria ser ampliado em aproximadamente 200 vezes.
Depois do desembarque no Terminal Multicargas, a carga seguiu para o terminal da Minas Port. A intenção é utilizar a estrutura existente para transformar o complexo portuário em uma alternativa logística permanente para importadores de matérias-primas destinadas ao agronegócio.
O enxofre passa a integrar uma carteira que já inclui produtos como fertilizantes e grãos. Em setembro de 2025, por exemplo, o T-Mult recebeu aproximadamente 25 mil toneladas de cloreto de potássio, importadas de São Petersburgo, na Rússia.
A nova operação ocorre após investimentos na ampliação do Terminal Multicargas. O cais operacional passou de 340 para 500 metros, enquanto o terminal conta atualmente com calado de 13,1 metros e estrutura para receber simultaneamente dois navios Panamax.
Cada uma dessas embarcações pode transportar até 75 mil toneladas.
Com a ampliação, a capacidade inicial de movimentação do T-Mult deve chegar a aproximadamente 2,7 milhões de toneladas por ano. Desde o início das operações, em 2016, o terminal já recebeu 27 tipos de cargas, incluindo granéis sólidos, cargas de projeto e breakbulk.
A chegada do enxofre amplia esse conjunto de operações e coloca o Porto do Açu diante de um novo desafio comercial: transformar uma primeira carga de pequena escala em uma rota regular capaz de movimentar centenas de milhares de toneladas por ano.
A estratégia também amplia a participação do Porto do Açu em cadeias relacionadas à segurança de abastecimento do agronegócio brasileiro.
O objetivo de alcançar 300 mil toneladas anuais colocaria o complexo portuário em uma posição relevante no mercado nacional de enxofre. Para o Norte Fluminense, a expansão de cargas estratégicas representa ainda uma oportunidade de fortalecer a atividade logística e ampliar a movimentação econômica associada ao porto.
A primeira operação, portanto, funciona como ponto de partida de um projeto de maior escala. O desafio agora é transformar as 1,5 mil toneladas desembarcadas na estreia em uma cadeia contínua de importação e distribuição capaz de atingir a meta de 300 mil toneladas por ano.