
A Coagro vem desempenhando papel importante na manutenção e no fortalecimento da produção de cana-de-açúcar em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. A atividade, historicamente ligada à economia do município, encontra no modelo cooperativista uma alternativa para produtores que enfrentam dificuldades para manter individualmente toda a estrutura necessária ao cultivo.
Por meio da cooperativa, os produtores têm acesso a assistência técnica, máquinas, insumos, capacitação, arrendamento de áreas e apoio na comercialização. Na prática, a estrutura compartilhada permite que pequenos e médios produtores reduzam custos, ampliem a capacidade produtiva e encontrem melhores condições para permanecer na atividade rural.
Um dos exemplos apresentados pelo Sistema OCB/RJ é o do produtor rural Joelson Furriel da Silva, de 56 anos. Antes de se aproximar da Coagro, ele mantinha um pequeno rebanho leiteiro e enfrentava dificuldades para sustentar a família, formada pela esposa e cinco filhos.
A mudança começou em 2013, quando Joelson buscava uma alternativa diante da falta de recursos para investir em uma nova atividade. Com o apoio da cooperativa, encontrou estrutura para iniciar o cultivo de cana-de-açúcar.
“A cooperativa confiou no meu trabalho e me apoiou com capacitação, arrendamento de terras, maquinário e até com as mudas para começar a plantação”, afirmou o produtor.
Atualmente, Joelson cultiva cana em aproximadamente 70 hectares de terras arrendadas e conta com suporte da Coagro em diferentes etapas do processo produtivo.
A estrutura compartilhada é um dos principais diferenciais do modelo cooperativista. Em vez de cada produtor precisar realizar sozinho investimentos em máquinas, conhecimento técnico, logística e acesso ao mercado, parte dessa estrutura passa a ser disponibilizada coletivamente.
Para produtores com menor capacidade de investimento, esse suporte pode ser determinante para a permanência na atividade.
No caso de Joelson, os efeitos foram além do aumento da produção. Segundo o produtor, os resultados obtidos com o cultivo de cana permitiram melhorias na moradia, mobilidade, saúde e educação dos filhos.
“A cooperativa é a base de tudo. Hoje, todos os meus filhos têm acesso aos estudos, inclusive ao ensino superior. Percebo que eles querem, de alguma forma, seguir no mesmo ramo, porque sentiram a diferença de onde viemos e onde estamos”, relatou.
A história do produtor também ajuda a dimensionar a presença da cana-de-açúcar na economia rural de Campos dos Goytacazes. O município construiu parte relevante de sua trajetória econômica em torno da atividade sucroenergética e, mesmo após mudanças estruturais no setor e a redução do número de usinas, milhares de hectares continuam destinados ao cultivo.
Nesse cenário, a Coagro funciona como elo entre produtores, estrutura industrial e mercado, oferecendo mecanismos para organizar produção, logística e comercialização.
O modelo também amplia o poder de negociação dos cooperados e reduz algumas das barreiras que produtores poderiam enfrentar individualmente.
Para o presidente do Sistema OCB/RJ, Vinicius Mesquita, a organização coletiva amplia as condições para que os produtores enfrentem os desafios do campo.
“Quando o produtor faz parte de uma cooperativa, ele deixa de enfrentar sozinho muitos dos desafios do campo. Ganha acesso a conhecimento, tecnologia, estrutura e mercado, além de mais condições para produzir e gerar renda”, afirmou.
A atuação da Coagro em Campos está inserida em um setor de grande peso na economia brasileira. Dados divulgados pelo Sistema OCB/RJ apontam que as 1.254 cooperativas agropecuárias brasileiras movimentaram R$ 487,3 bilhões em 2025, crescimento de 11,2% em relação ao ano anterior.
Juntas, essas cooperativas somavam mais de 1,13 milhão de cooperados e aproximadamente 277 mil empregos diretos.
Em Campos, porém, o impacto pode ser observado diretamente no cotidiano das propriedades rurais. Ao garantir acesso compartilhado a estrutura, conhecimento e mercado, a Coagro contribui para manter produtores dentro de uma cadeia que continua relevante para a economia do município.
Para quem não teria condições de adquirir individualmente máquinas, arrendar áreas ou financiar toda a implantação de uma lavoura, o modelo cooperativista funciona como uma ponte entre a pequena produção e uma atividade agrícola de maior escala.
A trajetória de Joelson representa um desses casos. Treze anos depois de iniciar a produção com apoio da cooperativa, ele permanece no campo, aumentou a renda familiar e acompanhou os filhos chegarem ao ensino superior, mostrando como a estrutura cooperativista pode produzir efeitos que ultrapassam os limites da propriedade rural.