
A participação no segundo turno das eleições de 2026, realizado neste domingo (25), pode ajudar aposentados, pensionistas e beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) a manter a prova de vida em dia no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A medida permite que o comparecimento às urnas seja utilizado para confirmar que o beneficiário está vivo, por meio do cruzamento de informações entre a Justiça Eleitoral e a Previdência Social.
A possibilidade foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pelo próprio INSS. Com o compartilhamento dos registros eleitorais, o instituto pode utilizar a participação na votação como um dos elementos de comprovação de vida, sem exigir que o segurado apresente o comprovante de votação ou compareça a uma agência apenas para realizar esse procedimento.
Segundo o INSS, cerca de 40 milhões de pessoas recebem benefícios previdenciários ou assistenciais abrangidos pelo processo de prova de vida. A verificação é realizada periodicamente para confirmar que os pagamentos continuam sendo destinados a beneficiários vivos e evitar irregularidades.
A mudança faz parte de um modelo adotado para reduzir a necessidade de deslocamentos, filas e procedimentos presenciais, especialmente para idosos e pessoas com mobilidade reduzida.
A comprovação de vida passou por alterações nos últimos anos. Desde 2023, o INSS é responsável por consultar bases de dados oficiais para verificar se existem registros recentes que confirmem a situação do beneficiário. A Portaria PRES/INSS nº 1.408, de 2022, inclui o comparecimento às eleições entre os eventos que podem ser considerados nessa análise.
Em 2024, o cruzamento de informações eleitorais já havia contribuído para a atualização de aproximadamente cinco milhões de provas de vida, a partir de registros de comparecimento de cerca de 21 milhões de beneficiários, segundo dados divulgados pelo instituto.
A participação nas eleições de 2026 também poderá ser utilizada nessa verificação. O procedimento ocorre de forma automática, a partir das informações disponibilizadas pela Justiça Eleitoral, sem que o segurado precise encaminhar documentos por conta própria.
É importante destacar, no entanto, que não votar não significa perder automaticamente a aposentadoria, a pensão ou o BPC. Quando não encontra um registro eleitoral válido, o INSS continua consultando outras bases de dados públicas para confirmar que o beneficiário está vivo.
Entre as informações que podem ser utilizadas estão registros de vacinação, atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS), emissão ou renovação de documentos oficiais, atualização cadastral e outras movimentações registradas em sistemas governamentais.
Se o instituto não conseguir confirmar a prova de vida por meio dessas consultas, o beneficiário poderá ser orientado a regularizar a situação. Por isso, mesmo quem compareceu às urnas deve acompanhar eventuais notificações e verificar a situação pelos canais oficiais.
A consulta pode ser realizada pelo aplicativo ou site Meu INSS, com acesso por meio da conta gov.br. Caso exista alguma pendência, o sistema apresenta as orientações para a regularização. Também é possível obter informações pela Central 135.
A medida reforça a integração entre os sistemas públicos para simplificar procedimentos administrativos e reduzir a necessidade de comprovações presenciais. Para os beneficiários, o comparecimento às urnas pode representar mais uma forma de atualizar automaticamente a prova de vida, sem substituir os demais mecanismos de verificação utilizados pelo INSS.