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Foi no Carnaval que Passou leva Paulo Freire ao palco

Espetáculo de Luciana Saul estreia no Teatro da Praça em São Paulo e aborda, com humor e poesia, os desafios da educação e a possibilidade de transformação da escola

Graciela Binaghi
Por: Graciela Binaghi
18/09/2026 às 08h20 Atualizada em 18/09/2026 às 08h32
Foi no Carnaval que Passou leva Paulo Freire ao palco
Foi no Carnaval que passou - Foto de Matheus Holesgrove

A educação brasileira, os desafios enfrentados diariamente pelos professores e o pensamento de Paulo Freire estão no centro de Foi no Carnaval que Passou, espetáculo escrito e protagonizado por Luciana Saul, que estreia no dia 26 de setembro, sábado, às 18h, no Teatro da Praça. A apresentação será única, com ingressos a R$ 20 e meia-entrada.

A montagem acompanha uma professora que, sozinha em uma sala de aula, aguarda o início de uma live na qual será entrevistada sobre sua trajetória como educadora. Durante a espera, lembranças de seu cotidiano começam a invadir a cena. Situações cômicas, absurdas, poéticas e dolorosas fazem com que ela reveja conflitos, frustrações e pequenas batalhas enfrentadas por quem vive a realidade escolar.

Nesse percurso, a personagem reencontra também a professora que sonhou ser. Diante do desgaste provocado pela rotina profissional, recupera sonhos da juventude e, ao entrar em contato com o pensamento de Paulo Freire, redescobre a esperança como possibilidade de ação e transformação.

“Teatro, humor, emoção e Paulo Freire em uma reflexão sobre a escola que temos — e a escola que ainda podemos construir!”, define Luciana Saul.

A encenação estabelece um diálogo entre teatro e educação por meio de uma linguagem física, dinâmica e poética. Corpo, voz, objetos, humor e memória se articulam em uma espécie de sinfonia de ações, transformando continuamente a sala de aula.

A cenografia é propositalmente simples: uma mesa, cinco cadeiras e uma pequena lousa decorada com máscaras de Carnaval. Esses elementos são ressignificados ao longo da apresentação e criam diferentes espaços, personagens e situações. A sala de aula, mais do que cenário, torna-se território de conflito, memória, sonho e resistência.

A dramaturgia foi desenvolvida a partir de uma investigação realizada em escolas das periferias de São Paulo e do estudo de conceitos fundamentais da obra de Paulo Freire. Entre os eixos que orientaram o processo de criação estão sonho e esperança, conhecimento significativo em contraposição à chamada educação bancária, formação permanente e o reconhecimento do educando como sujeito do conhecimento.

Mais do que apresentar respostas, o espetáculo pretende provocar perguntas sobre o papel da escola e as relações entre educadores, estudantes e sociedade. A proposta é aproximar o pensamento de Freire da experiência concreta de quem está dentro da sala de aula, transformando conceitos em corpo, voz, conflito e movimento.

 

Educação como experiência

Foi no Carnaval que Passou parte de uma questão fundamental da pedagogia freireana: o ensino não pode ser separado da formação ética dos educandos. O conhecimento, nessa perspectiva, não acontece de maneira isolada da vida, mas é construído a partir da realidade, das experiências e dos saberes dos sujeitos.

A montagem também aborda questões presentes no cotidiano de milhares de profissionais da educação, como o desgaste do professor, os conflitos em sala de aula, a relação entre educador e educando, a construção do conhecimento e a busca por uma escola capaz de dialogar com a realidade social.

A simplicidade da estrutura cênica permite ainda que o espetáculo seja apresentado em diferentes espaços, como teatros, escolas, universidades, centros culturais e locais alternativos. A proposta pode integrar semanas pedagógicas, jornadas de formação de professores, congressos, encontros acadêmicos e outras programações relacionadas à educação e à cultura, inclusive com possibilidade de conversa com o público após a apresentação.

 

Teatro e transformação social

A montagem integra a pesquisa continuada desenvolvida pelo Teatro da Praça por meio do grupo Arte Tangível, que reúne mais de duas décadas de atuação artística e pedagógica nas periferias da Zona Norte de São Paulo.

Ao longo de sua trajetória, o grupo investiga as relações entre teatro, educação, formação de atores e transformação social, mantendo um núcleo de artistas-pesquisadores e desenvolvendo uma metodologia própria de criação e formação.

É desse percurso que nasce Foi no Carnaval que Passou, espetáculo que procura transformar em experiência teatral uma pergunta essencial: que escola queremos construir?

O Teatro da Praça também mantém atividades de formação e difusão cultural, com curso profissionalizante de teatro e cursos regulares destinados a diferentes faixas etárias, além de apresentações, saraus e encontros entre artistas e aprendizes. O espaço se propõe como território de partilha e diálogo, utilizando o teatro como instrumento de expressão, aprendizado e transformação.

 

 

 

Foi no Carnaval que passou
Teatro da Praça – Arte Tangível

Rua Professor Custódio de Farias, 20, Mandaqui, São Paulo/SP
Dia 26 de setembro, sábado, às 18h
Apresentação: única
Ingressos a preços populares R$ 20,00 e meia-entrada
Reservas e informações: (11) 98898-0847
Classificação indicativa: 12 anos
Duração: 50 min


Instagram: @teatrodapraca