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Exposição “Inefável Presença” reúne nove artistas no Rio de Janeiro

Mostra apresenta desenhos e pinturas a óleo produzidos por artistas ligados ao Ateliê Oruniyá, com curadoria de Ayla de Oliveira

REDAÇÃO
Por: REDAÇÃO
18/09/2026 às 07h40
Exposição “Inefável Presença” reúne nove artistas no Rio de Janeiro
Exposição “Inefável Presença” reúne trabalhos de nove artistas ligados ao Ateliê Oruniyá no Centro Cultural dos Correios, no Rio de Janeiro - Foto: Divulgação 

O Centro Cultural dos Correios, no Centro do Rio de Janeiro, recebe até 10 de outubro a exposição “Inefável Presença”, coletiva que reúne nove artistas cuja produção foi atravessada pela convivência no Ateliê Oruniyá, na Tijuca. Com curadoria de Ayla de Oliveira, a mostra apresenta desenhos e pinturas a óleo que exploram paisagem, memória, natureza, sagrado e cotidiano.

Participam da exposição Anna Lívia Taborda Monahan, Ayla de Oliveira, Laura Ribeiro de Castro, Maria Victória Santos, Paula Siebra, Nelson Macedo, Ana Moura, Lucas Moura e Renato Alvim. Embora desenvolvam pesquisas individuais, os artistas compartilham a experiência de formação no ateliê, o estudo da tradição pictórica e a compreensão da pintura como espaço de transmissão, diálogo e continuidade.

Obras exploram diferentes formas de presença

As obras apresentadas na mostra partem de diferentes investigações. Paisagens reconhecíveis ganham atmosferas de sonho, enquanto figuras femininas se aproximam de elementos da natureza. Conchas herdadas são transformadas em imagens relacionadas à proteção e à memória, cenas cotidianas dialogam com o imaginário popular e a luz cria representações de portais, vultos e aparições.

A proposta curatorial é apresentar ao público uma experiência em que matéria, cor e imagem não precisam estar associadas a uma única interpretação.

O próprio título da exposição aproxima duas ideias. “Inefável” está relacionado ao que não pode ser completamente traduzido em palavras, enquanto “presença” remete àquilo que se manifesta e estabelece uma relação com quem observa. Nesse contexto, a pintura é apresentada como uma presença construída pela matéria, pela cor, pela luz e pelo encontro entre obra e espectador.

Grupo surgiu a partir da UFRJ

A trajetória dos artistas começou em 2017, na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde Nelson Macedo atuava como professor de desenho de modelo vivo.

A partir desse contato, alunas passaram a frequentar o ateliê do professor e conheceram também a artista e professora Ana Moura. Durante sete anos, os encontros semanais reuniram Anna Lívia Taborda Monahan, Ayla de Oliveira, Laura Ribeiro de Castro, Maria Victória Santos e Paula Siebra, sob orientação de Nelson e Ana, com acompanhamento de Lucas Moura e Renato Alvim.

Os encontros das segundas-feiras à noite ultrapassavam as aulas de desenho e pintura. As atividades também envolviam conversas sobre cinema, poesia, arte popular e história da arte, além do contato com textos e referências de artistas brasileiros e de diferentes tradições.

O grupo, inicialmente formado em torno de uma turma de pintura, passou a funcionar como uma comunidade de artistas ligada ao exercício contínuo do olhar e à investigação da imagem.

“Existia um certo medo de que não houvesse espaço no mercado para o nosso trabalho por ser uma pintura mais figurativa. Quando entrei no mercado de arte, fui percebendo e mostrando aos outros que havia, sim, pessoas interessadas em conhecer a pintura e que existia espaço para essa pesquisa”, conta Ayla de Oliveira.

Pesquisas individuais se encontram na exposição

Nelson Macedo apresenta paisagens nas quais casas, pessoas, luz e memórias familiares convivem em espaços de atmosfera etérea. Já Ana Moura aproxima a figura feminina de frutas, folhas, quintais e formações rochosas.

Na produção de Ayla de Oliveira, o sagrado e o tempo aparecem como elementos de investigação. Em Oferenda para Oxum na cachoeirinha, manchas, seixos, poças, musgo e pequenas flores estabelecem uma passagem entre diferentes planos da pintura.

Anna Lívia Taborda Monahan utiliza a natureza e os animais como elementos para criar cenas poéticas marcadas pela luz. Laura Ribeiro de Castro transforma conchas herdadas da avó em imagens relacionadas a proteção, fragilidade e memória.

As cenas cotidianas e o imaginário coletivo e popular estão presentes no trabalho de Maria Victória Santos. Na obra Feira, por exemplo, o movimento das figuras contrasta com o silêncio dos olhares.

Lucas Moura investiga a força e a passagem do tempo por meio das águas em composições de atmosfera onírica. Renato Alvim explora a relação entre matéria e aparição com pinceladas difusas, vultos, miragens e uma paleta que transita entre tons terrosos e cores saturadas.

Paula Siebra direciona sua pesquisa para a intimidade, o cuidado e a memória familiar. Em Crianças de banho tomado, o cotidiano é observado a partir da proximidade de quem acompanha a presença do outro.

Apesar das diferenças entre as pesquisas, a experiência compartilhada no Ateliê Oruniyá permanece como um elemento comum entre os trabalhos. Para a curadoria, esse percurso também evidencia o espaço como lugar de aprendizado, convivência e continuidade.

“Algumas imagens não se encerram em um significado; elas continuam vivendo em nós. É nessa permanência, nesse encontro entre a obra e o olhar, que a pintura permanece viva”, afirma Ayla de Oliveira.

Serviço

Exposição: “Inefável Presença”
Curadoria: Ayla de Oliveira
Artistas: Anna Lívia Taborda Monahan, Ayla de Oliveira, Laura Ribeiro de Castro, Maria Victória Santos, Paula Siebra, Nelson Macedo, Ana Moura, Lucas Moura e Renato Alvim
Local: Centro Cultural dos Correios
Endereço: Rua Visconde de Itaboraí, 20, Centro, Rio de Janeiro
Abertura: 19 de agosto de 2026, das 16h às 20h
Visitação: 19 de agosto a 10 de outubro de 2026
Dias e horários: terça a sábado, das 12h às 19h
Entrada: gratuita
Classificação indicativa: livre
Acessibilidade: rampas de acesso e elevador