
O Centro Cultural dos Correios, no Centro do Rio de Janeiro, recebe até 10 de outubro a exposição “Inefável Presença”, coletiva que reúne nove artistas cuja produção foi atravessada pela convivência no Ateliê Oruniyá, na Tijuca. Com curadoria de Ayla de Oliveira, a mostra apresenta desenhos e pinturas a óleo que exploram paisagem, memória, natureza, sagrado e cotidiano.
Participam da exposição Anna Lívia Taborda Monahan, Ayla de Oliveira, Laura Ribeiro de Castro, Maria Victória Santos, Paula Siebra, Nelson Macedo, Ana Moura, Lucas Moura e Renato Alvim. Embora desenvolvam pesquisas individuais, os artistas compartilham a experiência de formação no ateliê, o estudo da tradição pictórica e a compreensão da pintura como espaço de transmissão, diálogo e continuidade.
As obras apresentadas na mostra partem de diferentes investigações. Paisagens reconhecíveis ganham atmosferas de sonho, enquanto figuras femininas se aproximam de elementos da natureza. Conchas herdadas são transformadas em imagens relacionadas à proteção e à memória, cenas cotidianas dialogam com o imaginário popular e a luz cria representações de portais, vultos e aparições.
A proposta curatorial é apresentar ao público uma experiência em que matéria, cor e imagem não precisam estar associadas a uma única interpretação.
O próprio título da exposição aproxima duas ideias. “Inefável” está relacionado ao que não pode ser completamente traduzido em palavras, enquanto “presença” remete àquilo que se manifesta e estabelece uma relação com quem observa. Nesse contexto, a pintura é apresentada como uma presença construída pela matéria, pela cor, pela luz e pelo encontro entre obra e espectador.
A trajetória dos artistas começou em 2017, na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde Nelson Macedo atuava como professor de desenho de modelo vivo.
A partir desse contato, alunas passaram a frequentar o ateliê do professor e conheceram também a artista e professora Ana Moura. Durante sete anos, os encontros semanais reuniram Anna Lívia Taborda Monahan, Ayla de Oliveira, Laura Ribeiro de Castro, Maria Victória Santos e Paula Siebra, sob orientação de Nelson e Ana, com acompanhamento de Lucas Moura e Renato Alvim.
Os encontros das segundas-feiras à noite ultrapassavam as aulas de desenho e pintura. As atividades também envolviam conversas sobre cinema, poesia, arte popular e história da arte, além do contato com textos e referências de artistas brasileiros e de diferentes tradições.
O grupo, inicialmente formado em torno de uma turma de pintura, passou a funcionar como uma comunidade de artistas ligada ao exercício contínuo do olhar e à investigação da imagem.
“Existia um certo medo de que não houvesse espaço no mercado para o nosso trabalho por ser uma pintura mais figurativa. Quando entrei no mercado de arte, fui percebendo e mostrando aos outros que havia, sim, pessoas interessadas em conhecer a pintura e que existia espaço para essa pesquisa”, conta Ayla de Oliveira.
Nelson Macedo apresenta paisagens nas quais casas, pessoas, luz e memórias familiares convivem em espaços de atmosfera etérea. Já Ana Moura aproxima a figura feminina de frutas, folhas, quintais e formações rochosas.
Na produção de Ayla de Oliveira, o sagrado e o tempo aparecem como elementos de investigação. Em Oferenda para Oxum na cachoeirinha, manchas, seixos, poças, musgo e pequenas flores estabelecem uma passagem entre diferentes planos da pintura.
Anna Lívia Taborda Monahan utiliza a natureza e os animais como elementos para criar cenas poéticas marcadas pela luz. Laura Ribeiro de Castro transforma conchas herdadas da avó em imagens relacionadas a proteção, fragilidade e memória.
As cenas cotidianas e o imaginário coletivo e popular estão presentes no trabalho de Maria Victória Santos. Na obra Feira, por exemplo, o movimento das figuras contrasta com o silêncio dos olhares.
Lucas Moura investiga a força e a passagem do tempo por meio das águas em composições de atmosfera onírica. Renato Alvim explora a relação entre matéria e aparição com pinceladas difusas, vultos, miragens e uma paleta que transita entre tons terrosos e cores saturadas.
Já Paula Siebra direciona sua pesquisa para a intimidade, o cuidado e a memória familiar. Em Crianças de banho tomado, o cotidiano é observado a partir da proximidade de quem acompanha a presença do outro.
Apesar das diferenças entre as pesquisas, a experiência compartilhada no Ateliê Oruniyá permanece como um elemento comum entre os trabalhos. Para a curadoria, esse percurso também evidencia o espaço como lugar de aprendizado, convivência e continuidade.
“Algumas imagens não se encerram em um significado; elas continuam vivendo em nós. É nessa permanência, nesse encontro entre a obra e o olhar, que a pintura permanece viva”, afirma Ayla de Oliveira.
Exposição: “Inefável Presença”
Curadoria: Ayla de Oliveira
Artistas: Anna Lívia Taborda Monahan, Ayla de Oliveira, Laura Ribeiro de Castro, Maria Victória Santos, Paula Siebra, Nelson Macedo, Ana Moura, Lucas Moura e Renato Alvim
Local: Centro Cultural dos Correios
Endereço: Rua Visconde de Itaboraí, 20, Centro, Rio de Janeiro
Abertura: 19 de agosto de 2026, das 16h às 20h
Visitação: 19 de agosto a 10 de outubro de 2026
Dias e horários: terça a sábado, das 12h às 19h
Entrada: gratuita
Classificação indicativa: livre
Acessibilidade: rampas de acesso e elevador