
Realizar mais de um procedimento plástico durante a mesma cirurgia pode ser uma alternativa para determinados pacientes, mas a decisão exige planejamento individualizado. A associação entre técnicas como lipoaspiração, abdominoplastia, mastopexia e cirurgias das mamas precisa considerar não apenas o resultado esperado, mas também a extensão dos procedimentos, as condições clínicas e o tempo total no centro cirúrgico.
Segundo o cirurgião plástico Dr. Josué Montedonio, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), cirurgias combinadas podem ser indicadas quando existe planejamento adequado e os riscos são avaliados previamente.
“Eu sou favorável às cirurgias combinadas quando elas são bem indicadas e planejadas. Ao mesmo tempo, também sou favorável à preocupação com o tempo cirúrgico. Uma coisa não exclui a outra”, explica.
O tempo de permanência no centro cirúrgico é um dos aspectos considerados na avaliação. Procedimentos prolongados podem representar maior exposição à anestesia, maior período de imobilidade e maior desgaste fisiológico, fatores que precisam ser analisados de acordo com cada caso.
O especialista ressalta, porém, que uma cirurgia longa não significa necessariamente uma cirurgia insegura. A duração pode variar conforme a complexidade do procedimento, a técnica utilizada e as características anatômicas do paciente.
“Existem cirurgias que exigem mais tempo pela própria complexidade. O mais importante é que o cirurgião conheça seus limites, saiba planejar cada etapa e tome decisões sempre priorizando a segurança”, afirma.
Por isso, nem sempre realizar todos os procedimentos desejados em uma única operação é a melhor alternativa. Em algumas situações, dividir o tratamento em duas etapas pode diminuir a duração de cada cirurgia e permitir uma recuperação mais adequada.
Como a cirurgia plástica é eletiva, existe a possibilidade de planejar diferentes estratégias antes do procedimento. Para Dr. Josué, se a associação representar um aumento desnecessário dos riscos, a divisão em etapas deve ser considerada.
A segurança também depende da atuação conjunta dos profissionais envolvidos. Cirurgião, anestesista, instrumentadores e demais integrantes da equipe precisam trabalhar de maneira coordenada, seguindo uma sequência previamente estabelecida.
“O objetivo não é terminar rapidamente. Também não é prolongar a cirurgia sem necessidade. É realizar cada etapa no tempo adequado, com técnica, precisão e segurança”, destaca.
Outro ponto importante é que o sucesso de uma cirurgia plástica não deve ser medido somente pelo resultado estético. A forma como esse resultado é alcançado também faz parte da avaliação.
“Hoje entendemos cada vez mais que o sucesso de uma cirurgia não depende apenas do resultado estético. Depende também da forma como esse resultado é alcançado. A segurança precisa estar presente em todas as decisões”, afirma o médico.
Antes de optar por procedimentos combinados, o paciente deve discutir com o cirurgião o tempo estimado da operação, os riscos envolvidos, suas condições clínicas e a possibilidade de dividir o tratamento.
Para Dr. Josué, a prioridade deve permanecer clara em todas as etapas: alcançar o resultado planejado sem transformar a busca por mais procedimentos em um aumento desnecessário dos riscos. “O verdadeiro objetivo nunca é realizar o maior número possível de procedimentos. É oferecer ao paciente o melhor resultado possível com o menor risco possível”, conclui.