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Contratações no Rio em Forma levantam questionamentos no Rio de Janeiro

Reportagem aponta vínculos de contratados com igreja e apoiadores políticos; Prefeitura afirma que função era prevista no projeto

REDAÇÃO
Por: REDAÇÃO
06/09/2026 às 09h58
Contratações no Rio em Forma levantam questionamentos no Rio de Janeiro
Foto: Divulgação

O projeto esportivo Rio em Forma, da Prefeitura do Rio de Janeiro, entrou no centro de questionamentos após uma reportagem apontar a contratação de pessoas ligadas a uma igreja evangélica e a apoiadores de um candidato a deputado estadual para uma função chamada “movimentador esportivo”.

Segundo levantamento apresentado pelo jornalista Ruben Berta, do portal Ururau, os nomes aparecem em uma folha de pagamento da ONG Instituto Crescer com Meta, uma das quatro entidades responsáveis pela execução do projeto. A reportagem afirma ter tido acesso ao documento e aponta a contratação de 29 pessoas para a função, com remuneração individual de R$ 3.594 por meio de Recibo de Pagamento Autônomo (RPA).

De acordo com os dados apresentados na reportagem, somente os profissionais classificados como movimentadores esportivos representam mais de R$ 100 mil mensais em despesas. A ONG, por sua vez, teria uma folha média de aproximadamente R$ 1,2 milhão por mês relacionada ao Rio em Forma, incluindo professores, monitores, assistentes, supervisores e coordenadores.

Vínculos com igreja são apontados

Entre os contratados identificados estão pessoas relacionadas à Advec Jardim Sulacap, igreja ligada à Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Segundo a reportagem, pelo menos nove dos chamados movimentadores esportivos possuem ligação com a instituição.

Entre os nomes citados está o pastor Thiago Delgado Domingues, dirigente da unidade de Jardim Sulacap, além de seu filho, Yago de Oliveira Delgado Domingues.

Após a publicação da reportagem, Thiago afirmou que atua como coordenador do projeto na região e que também há parentes empregados na iniciativa, responsáveis, segundo ele, pela supervisão das atividades.

O pastor negou qualquer interferência política ou da igreja para facilitar a implementação do Rio em Forma. Segundo seu relato, ele se inscreveu no projeto com o objetivo de levar melhorias para a comunidade e afirmou que as atividades funcionam regularmente.

A reportagem também cita outros contratados que possuem relações pessoais ou empresariais com pessoas ligadas à igreja.

Questionamentos sobre vínculos políticos

O levantamento também identificou entre os contratados pessoas que, segundo a reportagem, demonstram apoio político ao candidato a deputado estadual Felipe Pampolha, do PP.

O candidato negou qualquer participação em nomeações na Prefeitura do Rio. Em manifestação citada pela reportagem, Pampolha afirmou que não ocupa cargo público na administração municipal e que não possui ingerência, autonomia ou participação em nomeações na Secretaria Municipal de Esportes ou em outros órgãos da Prefeitura.

Segundo ele, eventuais vínculos ou manifestações de apoio político seriam de caráter pessoal e não representariam interferência em decisões administrativas.

Prefeitura diz que função foi prevista no projeto

Após a publicação da reportagem, a Secretaria Municipal de Esportes enviou uma nota explicando a função de movimentador esportivo.

De acordo com a pasta, o cargo estava previsto no plano de trabalho do Rio em Forma e os profissionais atuaram durante três meses na interlocução do projeto com as comunidades, identificando demandas locais.

Ainda segundo a Secretaria, após a conclusão dessa etapa, a função foi descontinuada e os profissionais passaram a exercer a função de supervisor administrativo.

A secretaria, entretanto, não explicou os motivos da escolha de pessoas ligadas à Advec e de apoiadores do candidato Felipe Pampolha, segundo a reportagem.

O caso coloca em debate a forma como organizações responsáveis pela execução de projetos públicos realizam contratações e a necessidade de transparência sobre critérios, funções e vínculos dos profissionais envolvidos em iniciativas financiadas com recursos públicos.