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MP Eleitoral não vê irregularidade em foto de Lula com chapéu na urna

Parecer considera que o acessório não configura propaganda eleitoral nem dificulta o reconhecimento do candidato

REDAÇÃO
Por: REDAÇÃO
23/08/2026 às 11h07 Atualizada em 23/08/2026 às 11h11
MP Eleitoral não vê irregularidade em foto de Lula com chapéu na urna
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - Foto: Ricardo Stuckert/Presidência

O Ministério Público Eleitoral (MPE) não identificou irregularidade na foto de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que será utilizada na urna eletrônica nas eleições de 2026. O presidente aparece usando um chapéu na imagem oficial registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

A presença do acessório chamou atenção porque as regras eleitorais estabelecem critérios específicos para as fotografias utilizadas na urna. Segundo o parecer do MPE, entretanto, a imagem de Lula atende às exigências e o chapéu não apresenta conotação de propaganda eleitoral nem dificulta a identificação do candidato pelo eleitor. 

O que dizem as regras para a foto da urna

As normas eleitorais determinam que a fotografia utilizada na urna seja frontal, em busto e com trajes considerados adequados para uma fotografia oficial.

A regulamentação também permite determinadas formas de indumentária e pintura corporal étnicas ou religiosas, além de acessórios necessários a pessoas com deficiência. Por outro lado, são proibidos elementos cênicos e outros adornos que tenham conotação de propaganda eleitoral ou que possam dificultar o reconhecimento do candidato. 

Na avaliação do MPE, o chapéu utilizado por Lula não se enquadra nessas situações de impedimento.

Parecer considera pluralismo político

O vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa, afirmou que a permissão do acessório é compatível com o princípio do pluralismo político.

O parecer também aponta que, mesmo diante de uma eventual desconformidade, a situação não levaria automaticamente ao indeferimento do registro da candidatura. Nesse caso, haveria prazo para que a fotografia fosse regularizada. 

A manifestação do Ministério Público Eleitoral faz parte da análise do registro de candidatura de Lula para as eleições de 2026. No mesmo parecer, a Procuradoria considerou que não havia impedimentos para o registro da candidatura presidencial.

Uso do chapéu ganhou espaço nos últimos anos

O acessório passou a aparecer com frequência nas imagens públicas de Lula após problemas de saúde que exigiram procedimentos na região da cabeça.

Em 2024, o presidente passou por cirurgias relacionadas a um hematoma provocado por uma queda. Já em abril de 2026, Lula teve uma lesão retirada do couro cabeludo e passou a utilizar o chapéu também como forma de proteção durante o período de recuperação.

O modelo utilizado pelo presidente é um chapéu Panamá, que passou a fazer parte de sua imagem em compromissos oficiais.

Caso já teve precedente no TSE

A discussão sobre o uso de acessórios em fotografias eleitorais não é inédita. Em 2022, o TSE analisou o caso do então candidato a deputado federal Douglas Belchior, que utilizou um boné na fotografia destinada à urna.

Na ocasião, a Corte autorizou o uso do acessório por entender que ele estava relacionado à identidade étnica e à ligação do candidato com a cultura rapper. O episódio contribuiu para uma interpretação mais flexível das regras sobre adornos nas fotografias eleitorais.

No caso de Lula, o MPE avaliou que o chapéu não interfere no reconhecimento do candidato e não apresenta caráter de propaganda eleitoral.

Com isso, a fotografia em que Lula aparece usando o acessório poderá ser utilizada na urna eletrônica nas eleições de 2026, caso o registro de candidatura seja posteriormente aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral.