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CRB-8 promove debates sobre bibliotecas e leitura na Bienal do Livro

Conselho Regional de Biblioteconomia de São Paulo participa da programação com encontros sobre educação, políticas públicas, inclusão e democratização do acesso ao conhecimento

Graciela Binaghi
Por: Graciela Binaghi
04/09/2026 às 12h02 Atualizada em 04/09/2026 às 19h07
CRB-8 promove debates sobre bibliotecas e leitura na Bienal do Livro
A presidenta do CRB-8, Ana Cláudia Martins e a vice Regina Fazioli com poetas escritores na Bienal. Foto: Arquivo do CRB-8

A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que acontece de 4 a 13 de setembro, recebe uma programação do Conselho Regional de Biblioteconomia do Estado de São Paulo (CRB-8) dedicada ao papel das bibliotecas na formação de leitores e na democratização do conhecimento. Com o tema “Território livre: bibliotecas como espaço da democracia”, a agenda reúne debates, lançamentos de livros, apresentações culturais e encontros sobre literatura, educação, cultura e políticas públicas.

Durante os dez dias do evento, o estande do CRB-8 será espaço de encontro entre bibliotecários, educadores, pesquisadores, escritores e leitores. A programação aborda assuntos como saúde mental e literatura, educação inclusiva, afrofuturismo, fanzines, quadrinhos, poesia marginal e literatura de cordel, além de discutir o acesso às bibliotecas e a formação de leitores.

Um dos principais destaques é o debate “Escola sem biblioteca não é legal”, marcado para 6 de setembro, das 17h às 19h. Participam da conversa Ana Cláudia Martins, presidenta do CRB-8; Dalgisa Andrade Oliveira, presidenta do Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB); Marcos Antonio de Araújo, coordenador da Comissão Temporária de Bibliotecas Escolares do CRB-8; e a professora e escritora Mércia Magalhães. A mediação será de Guilherme Belíssimo, diretor técnico do CRB-8, com participação de Jaqueline Melo, coordenadora-geral de Materiais Didáticos da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC).

O encontro também apresentará dados de uma pesquisa realizada pelo CRB-8 em 2025, que analisou 912 escolas das redes estadual e municipal de São Paulo. O levantamento identificou a ausência de bibliotecas formalmente constituídas e de bibliotecários em parte significativa das unidades. Em muitos casos, as chamadas “salas de leitura” ocupam o espaço destinado às bibliotecas escolares, sem necessariamente contar com a estrutura e a atuação profissional previstas na legislação.

A situação paulista se insere em um problema de alcance nacional. Segundo dados levantados pela Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), com base no Censo Escolar de 2022, apenas cerca de um terço das escolas públicas brasileiras possui biblioteca.

Para Ana Cláudia Martins, a falta de bibliotecas escolares contribui para ampliar desigualdades no acesso à leitura e à informação. “A universalização das bibliotecas escolares ainda está muito distante do que determina a lei. Essa falta aprofunda desigualdades de acesso à leitura que já existem”, afirma. Segundo ela, também é necessário ampliar o conhecimento das famílias sobre o direito dos estudantes às bibliotecas escolares para que possam cobrar políticas públicas e estruturas adequadas.


Biblioteca como espaço de acolhimento

Outro tema da programação será a relação entre bibliotecas e populações em situação de vulnerabilidade. A mesa “Onde o livro alcança a rua”, no dia 8 de setembro, das 17h às 18h, discutirá a presença das bibliotecas no cotidiano da população em situação de rua e questões relacionadas à aporofobia, termo usado para definir a aversão ou rejeição às pessoas em situação de pobreza.

Participam Regina Fazioli, vice-presidenta do CRB-8; Meire Rose Stankevicius Bassi; e o padre Julio Lancellotti, conhecido pela atuação junto à população em situação de rua. A proposta é ampliar a discussão sobre as bibliotecas como equipamentos públicos de acolhimento, acesso à informação e garantia de direitos.

A agenda inclui ainda o bate-papo “Escrevivência e a formação antirracista de leitores”, em 10 de setembro, além de atividades sobre mediação de leitura, literatura periférica e afrocentrada, bibliotecas antirracistas, clubes de leitura, bibliodiversidade, literatura de cordel e quadrinhos.


Bibliotecas e o futuro da leitura

Além das atividades realizadas pelo CRB-8, a Bienal promove, em 4 de setembro, às 18h, o debate “Quem forma os leitores do futuro? O papel estratégico das bibliotecas em um ecossistema do livro em transformação”. A mesa faz parte do Papo de Mercado e reúne Ana Cláudia Martins, Valéria Valls, bibliotecária e pesquisadora, e Nadja Cézar, representante do Ministério da Cultura, com mediação de Bel Santos Mayer.

A conversa discutirá a função das bibliotecas físicas e digitais na formação de leitores, na descoberta de autores e obras e na articulação entre os diferentes agentes da cadeia do livro. Também estarão em pauta as transformações provocadas pelas novas tecnologias e as mudanças nos hábitos de leitura e consumo de conteúdo.

 

 

 

28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Quando: de 4 a 13 de setembro
Onde: Distrito Anhembi, São Paulo
Estande do CRB-8: CC28
Programação completa: CRB-8 SP e Bienal Internacional do Livro de São Paulo aqui