
O que uma pessoa é capaz de fazer para chegar ao poder? E o que acontece depois que consegue? Essas são algumas das questões de Lady Macbeth: Um Ensaio Sobre o Poder, espetáculo protagonizado por Aretha Sadick, com direção cênica e de movimento de Tainara Cerqueira e tradução e adaptação de Rodrigo França. A montagem estreia em 21 de agosto no Sesc Ipiranga, onde permanece em cartaz até 13 de setembro.
A partir de Macbeth, uma das principais tragédias de William Shakespeare, a peça desloca o foco para Lady Macbeth, personagem decisiva na trajetória de conquista do trono. Na obra original, ela incentiva o marido a transformar a possibilidade da profecia em ação e ultrapassar os limites para alcançar o poder.
Na releitura, Macbeth não aparece em cena. A personagem dialoga com a presença do marido como um espectro e, a partir de uma carta recebida por ele, prepara o discurso que pretende convencê-lo a assassinar o rei Duncan. Estruturada em cinco atos e uma cena final, a montagem acompanha Lady Macbeth da preparação do crime às consequências da conquista da coroa.
O texto preserva trechos fundamentais da obra de Shakespeare e incorpora reflexões filosóficas e sociológicas propostas por Rodrigo França. Com isso, a montagem amplia a discussão sobre ambição, gênero, raça, desejo e violência.
A presença de uma atriz negra no papel também acrescenta outra dimensão à personagem. A peça questiona o significado de buscar um espaço de poder historicamente associado à exclusão de determinados corpos. Em uma das cenas, Aretha aplica maquiagem branca no rosto e no corpo e coloca uma peruca loira, numa transformação relacionada à construção de uma imagem de poder e às ideias de assimilação discutidas por Frantz Fanon. A sequência também estabelece uma relação com a história de Chica da Silva.
A encenação parte de um ambiente íntimo. Lady Macbeth surge em uma banheira, diante de um espelho, enquanto uma escada ocupa o espaço cênico. Ao longo do espetáculo, esses elementos mudam de significado e acompanham a transformação da personagem, da intimidade à estratégia, do crime à conquista da coroa.
O figurino de Luiz Claudio Silva reforça esse percurso em três momentos: uma peça preta de caráter íntimo, um vestido azul usado durante a preparação para se tornar rainha e, posteriormente, uma alfaiataria associada à posição de poder já conquistada. A trilha sonora original de Dani Nega acompanha as mudanças de ritmo e de estado da personagem, enquanto a iluminação de Carol Gracindo trabalha com referências cinematográficas e alterações sutis de luz.
O ponto de virada ocorre depois que Lady Macbeth alcança o objetivo. Se antes suas ações eram movidas pela falta e pelo desejo de chegar ao poder, a conquista provoca uma nova questão: o que fazer com aquilo que se conseguiu? A personagem passa então a confrontar o próprio percurso e o custo das escolhas feitas para chegar ao trono.
Aretha Sadick tem trabalhos em teatro, cinema e televisão. Em 2024, participou das séries Reencarne, da Rede Globo, Cidade de Deus, da Max, e Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente, também da Max. No teatro, esteve em produções como Ópera Tupi, em que interpretou Macunaíma, Jorge Para Sempre Verão e AQUI – elevado a 1 trilhão. Em 2026, protagoniza o longa Baricentro, dirigido por Raphael Gustavo e Rochelle Silva, e estreia agora o monólogo Lady Macbeth: Um Ensaio Sobre o Poder.
Lady Macbeth: Um Ensaio Sobre o Poder
Sesc Ipiranga
Rua Bom Pastor, 822, Ipiranga, São Paulo
De 21 de agosto a 13 de setembro de 2026
Sextas, às 21h; sábados e domingos, às 18h30.
Ingressos: R$ 50 (inteira), R$ 25 (meia) e R$ 15 (Credencial Plena).
Duração: 60 minutos. Classificação: 16 anos.