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ALGORIKI leva crianças a uma aventura além das telas no Alfredo Mesquita

Espetáculo do Coletivo Quizumba convida as crianças a descobrir o mundo para além das telas e transforma a queda da internet em uma aventura sobre presença, imaginação e convivência.

Graciela Binaghi
Por: Graciela Binaghi
12/08/2026 às 13h58
ALGORIKI leva crianças a uma aventura além das telas no Alfredo Mesquita
ALGORIKI – e se você saísse? - Foto de Alícia Peres

O espetáculo infantojuvenil ALGORIKI – e se você saísse?, do Coletivo Quizumba, segue em temporada no Teatro Alfredo Mesquita, em Santana, com apresentações gratuitas nos dias 15, 16, 22, 23, 29 e 30 de agosto, sempre às 16h. Os ingressos são distribuídos uma hora antes de cada sessão. A classificação é de 8 anos e a duração é de 60 minutos.

Com direção de Thais Dias e dramaturgia de Tadeu Renato, a montagem acompanha quatro crianças que vivem no mesmo prédio, mas praticamente não se conhecem. A situação muda quando um apagão interrompe a internet e faz com que Ayó, Ayrá e Obá deixem seus apartamentos pela primeira vez. Guiados por Kosi, uma criança que conhece caminhos invisíveis, eles percorrem um edifício que parece se transformar a cada andar.

A aventura ganha novos contornos quando o grupo descobre que o mistério vai além da falta de conexão: a própria rua desapareceu. Entre corredores, escadas, memórias e desafios, jogos eletrônicos, algoritmos, redes sociais e histórias ancestrais se misturam a situações de humor e fantasia.

A peça propõe uma reflexão sobre a relação das crianças com a tecnologia sem colocar o mundo virtual e o presencial em oposição. A questão central é o que pode ser perdido quando o brincar, o corpo, a convivência e as experiências compartilhadas deixam de ocupar espaço no cotidiano.

O título ALGORIKI sintetiza a proposta da montagem ao unir as palavras “algoritmo” e “oriki”, forma poética da tradição iorubá associada à celebração de identidades e trajetórias. A dramaturgia parte de uma pesquisa do coletivo sobre o itan iorubá “O Chapéu de Duas Cores” e amplia a investigação para temas contemporâneos, como a influência das telas e das redes sociais na construção da identidade e dos afetos.

A pesquisa sobre culturas africanas também está presente na construção dos personagens, na musicalidade e na linguagem corporal, sem que os orixás sejam representados diretamente. A encenação incorpora elementos da capoeira angola, música executada ao vivo e canções autorais. A trilha, dirigida por Bel Borges, combina sons eletrônicos, notificações e paisagens inspiradas no universo dos games com instrumentos acústicos.

Fundado em 2008, o Coletivo Quizumba desenvolve pesquisas e criações voltadas principalmente às infâncias e juventudes, com perspectivas afrocentradas e decoloniais. Ao longo de 18 anos de trajetória, o grupo criou espetáculos como Quizumba!, Cantos de Aiyê, Oju Orum, Pequena história para um tempo sem memória e Quizumba no Mafuá de Lima Barreto, além de projetos artísticos e pedagógicos relacionados às culturas africanas e afro-brasileiras.

 

 

ALGORIKI – e se você saísse?
Teatro Alfredo Mesquita
Av. Santos Dumont, 1770, Santana
De 15 a 30 de agosto, aos sábados e domingos, às 16h
Entrada gratuita – ingressos distribuídos uma hora antes
Classificação: 8 anos
Duração: 60 minutos
Sessões com acessibilidade em Libras: 22, 23, 29 e 30 de agosto.

 

Graciela Binaghi
Graciela Binaghi
É jornalista formada em Comunicação Social pela Universidad de Buenos Aires (UBA) e atua na área desde 1974 em diversos segmentos, como mercado, eventos, cultura, música e entretenimento. Colunista do Brazil Em Evidência escreve sobre cultura, entretenimento e temas variados.
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