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Temporalmente Vivos estreia em São Paulo com humor e poesia sobre a morte

Dupla colombiana Gustavo Miranda e Mauricio Flórez estreia montagem que celebra a vida com humor, poesia e artes visuais.

Graciela Binaghi
Por: Graciela Binaghi
30/07/2026 às 10h46
Temporalmente Vivos estreia em São Paulo com humor e poesia sobre a morte
Temporalmente Vivos - Foto Mauricio Flórez

A morte, tema frequentemente associado ao luto e à dor, ganha novos contornos em Temporalmente Vivos, espetáculo dos artistas colombianos Gustavo Miranda e Mauricio Flórez. A montagem estreia no Sesc Avenida Paulista, em São Paulo, no dia 7 de agosto, e segue em cartaz até 30 de agosto, com sessões de quinta a sábado, às 20h30, e aos domingos, às 18h30. Haverá ainda uma apresentação extra em 26 de agosto, quarta-feira, às 20h30.

Com humor ácido e uma linguagem marcada pela poesia visual, a peça propõe uma reflexão sobre a finitude a partir da celebração da vida. Em vez de desenvolver uma narrativa linear, o espetáculo reúne 15 cenas independentes, que surgem e desaparecem como imagens trocadas rapidamente em uma televisão, convidando o público a construir suas próprias conexões.

A dramaturgia, assinada por Gustavo Miranda, é atravessada por temas como guerra, amor, extinção, religiosidade, ciência, festas e memórias do conflito armado colombiano. Ao lado de Mauricio Flórez, o artista também divide a concepção, direção e atuação da montagem.

Segundo Miranda, a intenção foi criar uma experiência afetiva capaz de aproximar o público da inevitabilidade da morte sem perder a leveza. "Toda a obra é atravessada por um mesmo sentimento: a alegria de estarmos vivos diante da angústia da finitude", afirma.

A encenação aposta em imagens plásticas cuidadosamente construídas. Com poucos elementos cênicos, a iluminação de Patrícia Savoy cria um jogo de aparições e desaparecimentos, explorando a profundidade do palco e transformando cada cena em uma composição visual.

Outro destaque é a presença silenciosa da Morte, interpretada pelo contrarregra Marcos Yamamoto. O personagem circula discretamente pelo teatro, surgindo na penumbra para interferir, de forma quase imperceptível, nas diferentes histórias apresentadas.

A linguagem corporal também ocupa papel central na montagem. Mauricio Flórez, com trajetória ligada à dança, desenvolveu uma gestualidade híbrida que combina movimentos cotidianos e abstratos, criando uma espécie de "quase fala" por meio do corpo.

A trilha sonora, composta por Talita del Collado, mistura ritmos tradicionais colombianos, como cumbia e bolero, a sons ambientes que reforçam a atmosfera de estranhamento. Já os figurinos de Salomé Abdala utilizam tons escuros, como vinho e marrom, além de máscaras e outros adereços que permitem aos intérpretes assumir diferentes personagens ao longo da apresentação.

Temporalmente Vivos marca a primeira vez que Gustavo Miranda e Mauricio Flórez dividem o palco como atores. Embora já colaborassem em projetos anteriores, a montagem representa um encontro entre as experiências de Miranda no teatro e de Flórez na dança para investigar a morte como objeto de contemplação, humor e poesia.

Inspirado também em cosmovisões indígenas, como a do povo Krenak, o espetáculo convida o público a refletir sobre a existência para além da visão biológica da vida, propondo uma experiência sensível que celebra o mistério, a beleza e a intensidade de estar vivo.


Temporalmente Vivos
Sesc Avenida Paulista
Arte I 
Av. Paulista, 119, 5º andar - Bela Vista, São Paulo (SP)
Telefone: (11) 3170-0800
Data: 7 a 30 de agosto
De quinta à sábado, às 20h30, e, aos domingos, às 18h30. 
Sessão extra na última quarta-feira (26/08), às 20h30
Ingressos: R$50,00 (inteira), R$25,00 (meia) e R$15,00 (credencial plena:).
Duração: 85 minutos
Classificação: 14 anos