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Fhoresp defende Keeta e critica restrições da 99Food no delivery

Entidade que representa mais de 500 mil estabelecimentos diz que livre concorrência é essencial para evitar práticas abusivas no setor

REDAÇÃO
Por: REDAÇÃO
03/10/2026 às 23h59
Fhoresp defende Keeta e critica restrições da 99Food no delivery
Fhoresp defende a atuação da Keeta no Brasil e cobra livre concorrência e regulamentação no mercado de delivery - Foto: Divulgação

A Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp) se posicionou a favor da continuidade das operações da Keeta no mercado brasileiro de delivery e criticou as restrições impostas pela 99Food a estabelecimentos cadastrados em sua plataforma. A entidade defende que restaurantes, bares, padarias e lanchonetes tenham liberdade para utilizar diferentes aplicativos de entrega e considera a concorrência um instrumento para equilibrar a relação entre empresas e estabelecimentos.

A manifestação ocorre após uma decisão judicial que derrubou cláusulas contratuais da 99Food que impediam restaurantes cadastrados no aplicativo de também trabalharem com a Keeta. Com a decisão, os estabelecimentos podem manter contratos com as duas plataformas.

Para a Fhoresp, impedir que os restaurantes tenham acesso a diferentes empresas de delivery representa um risco para a concorrência no setor. A federação afirma representar mais de 500 mil estabelecimentos por meio de 24 sindicatos patronais e defende condições semelhantes de competição entre as plataformas.

A Keeta iniciou sua operação no Brasil em 2025 e pertence à chinesa Meituan, uma das maiores empresas de tecnologia e serviços do setor de delivery. A companhia anunciou investimentos de R$ 5,6 bilhões no mercado brasileiro ao longo dos próximos cinco anos.

A entrada da plataforma ampliou a concorrência em um segmento que durante anos teve forte concentração em torno do iFood. Na avaliação da Fhoresp, a presença de novos aplicativos pode aumentar as alternativas disponíveis para os estabelecimentos e reduzir a dependência de uma única empresa.

O diretor executivo da federação, Édson Pinto, afirmou que o setor já enfrentou problemas relacionados à concentração de mercado. Segundo ele, a entidade recebeu relatos e acompanha há anos reclamações de empresários sobre taxas, falta de transparência e condições comerciais praticadas pelas plataformas de delivery.

Entre os pontos citados pela Fhoresp estão as taxas cobradas dos estabelecimentos, que, segundo a entidade, podem chegar a 35%, além de questionamentos sobre a transparência dos algoritmos e o acesso aos dados dos consumidores. A federação também afirma acompanhar as condições de trabalho dos entregadores.

Pinto avaliou que a ampliação da concorrência levou algumas empresas do setor a adotar novas medidas para atrair e manter restaurantes em suas plataformas. Para a entidade, esse movimento não deveria ser interrompido por mecanismos que limitem a atuação dos estabelecimentos em diferentes aplicativos.

No ano passado, a Fhoresp também elaborou uma cartilha para empresários do setor de alimentação com alternativas para reduzir a dependência de grandes plataformas. Entre as possibilidades apresentadas estavam a criação de aplicativos próprios, a formação de cooperativas de entrega e a utilização de outros serviços de delivery.

A federação considera que o mercado brasileiro ainda possui espaço para crescimento e defende que as empresas disputem clientes e estabelecimentos em condições consideradas equilibradas. Na avaliação da entidade, um ambiente com maior número de plataformas pode beneficiar não apenas os restaurantes, mas também os consumidores.

Regulamentação do setor

Além da defesa da livre concorrência, a Fhoresp cobra uma regulamentação específica para o mercado de entregas no Brasil. Segundo a entidade, a ausência de regras mais claras deixa restaurantes, trabalhadores e consumidores sujeitos às condições estabelecidas pelas próprias plataformas.

Édson Pinto afirmou que a federação já levou a discussão às autoridades e considera necessária a criação de regras mínimas para o funcionamento do setor. A entidade argumenta que a regulamentação poderia estabelecer parâmetros para as relações comerciais e reduzir possíveis desequilíbrios entre plataformas e estabelecimentos.

A discussão ocorre em um momento de expansão do mercado de delivery e de entrada de novos concorrentes no Brasil. Com a chegada da Keeta e a atuação de empresas já consolidadas, restaurantes e consumidores passam a ter mais alternativas, enquanto o setor enfrenta o desafio de estabelecer regras para uma competição considerada mais equilibrada.