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Nando Pradho celebra centenário de Tom Jobim com show em São Paulo

Espetáculo estreia no Teatro J. Safra em São Paulo com releituras de clássicos do compositor e participação do cantor, ator e multi-instrumentista

Graciela Binaghi
Por: Graciela Binaghi
01/10/2026 às 13h34
Nando Pradho celebra centenário de Tom Jobim com show em São Paulo
Nando Pradho - Foto de Sergio Santoian

Um dos nomes de destaque dos musicais no Brasil, Nando Pradho sobe ao palco do Teatro J. Safra, em São Paulo, no dia 10 de outubro, para apresentar o espetáculo “Nando Pradho – 100 Anos de Tom Jobim”. Idealizado e dirigido pelo produtor musical Fran Carlo, o show celebra o centenário de nascimento de Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (1927-1994) com novas leituras para algumas das obras mais conhecidas do compositor.

A apresentação propõe um mergulho na trajetória musical de Tom Jobim, percorrendo diferentes momentos de sua carreira. O repertório passa pela criação e consolidação da Bossa Nova, movimento do qual o compositor foi um dos principais nomes, e chega a trabalhos posteriores, incluindo a parceria com Edu Lobo no álbum “Edu & Tom”, lançado em 1981.

Entre as canções selecionadas estão “Se Todos Fossem Iguais a Você”, “Luiza”, “Pela Luz dos Olhos Teus”, “Só Tinha que Ser com Você”, “Águas de Março”, “Eu Sei que Vou Te Amar”, “Insensatez”, “Garota de Ipanema” e “Chega de Saudade”.

Para Fran Carlo, a proposta é justamente aproximar a experiência de um intérprete identificado com os grandes musicais de uma obra que ocupa lugar central na música brasileira. “O objetivo do espetáculo é fazer o experimento de tirar uma voz já consagrada dos musicais, e fazê-la mergulhar na obra de Tom Jobim”, afirma o produtor.

Com duas décadas de carreira, Nando Pradho construiu uma trajetória marcada pela atuação em grandes produções musicais. Foi protagonista de montagens brasileiras e mexicanas de espetáculos como “Les Misérables”, “O Fantasma da Ópera”, “A Bela e a Fera”, “Miss Saigon” e “Jekyll & Hyde”, além de ter participado de títulos como “Chicago” e “Victor Victória”.

No novo projeto, entretanto, a interpretação segue por outro caminho. Conhecido pela potência de seu registro de tenor dramático, Pradho pretende explorar a delicadeza e a intimidade características da obra jobiniana. “É hora de trabalhar nos detalhes da delicadeza do universo de Tom Jobim”, afirma o cantor. Para ele, o compositor foi “um mestre na arte de conectar a composição melódica a cada palavra dita na letra”.

Multi-instrumentista, Pradho também incorpora ao espetáculo o saxofone e alguns elementos de flauta, instrumento que o próprio Jobim tocava. A presença dos instrumentos reforça a proposta de aproximar o intérprete da sonoridade e do universo musical do homenageado.

A relação de Pradho com a obra de Tom Jobim, porém, vem de muito antes do projeto. Criado em um ambiente no qual a MPB e o jazz faziam parte do cotidiano familiar, o artista conta que foi influenciado musicalmente pelo pai, responsável por apresentar-lhe nomes fundamentais da música brasileira.

“Em casa, quando criança, MPB e Jazz eram presentes sempre que meu pai estava lá. Me lembro como se fosse hoje o momento em que recebi a notícia do falecimento de Tom. Senti demais”, relembra.

Interpretar Jobim era, portanto, um desejo antigo. Segundo o cantor, a parceria com Fran Carlo possibilitou transformar esse desejo em espetáculo, com o cuidado que considera necessário diante da importância da obra. “Essa oportunidade de trabalhar com Fran torna isso possível e viável, pois eu não faria sem que houvesse capricho e cuidado que essa obra merece e exige”, afirma.

 

A obra de um compositor universal

Nascido no Rio de Janeiro em 25 de janeiro de 1927, Tom Jobim teve papel decisivo na transformação da música brasileira a partir da segunda metade do século 20. Pianista, compositor e arranjador, desenvolveu uma linguagem marcada pela sofisticação harmônica e pela economia de elementos, aproximando referências populares e eruditas.

Na década de 1950, ao lado de parceiros como Vinicius de Moraes, participou da construção da Bossa Nova. A parceria com o poeta resultou em algumas das canções mais conhecidas da música brasileira, entre elas “Garota de Ipanema”, que se tornaria também um dos cartões de visita da música brasileira no exterior.

A projeção internacional levou Jobim a trabalhar com grandes nomes da música norte-americana. Morando durante um período em Nova York, aproximou-se do universo do jazz e teve suas composições gravadas por artistas como Ella Fitzgerald. Em 1967, lançou com Frank Sinatra o álbum “Francis Albert Sinatra & Antônio Carlos Jobim”, um dos registros mais emblemáticos de sua carreira internacional.

Sua discografia inclui trabalhos como “The Composer of Desafinado, Plays” (1963), “Wave” (1967) e “Urubu” (1976). Em 1974, outro momento marcante foi o encontro com Elis Regina no álbum “Elis & Tom”, considerado um dos grandes discos da música brasileira.

Tom Jobim morreu em Nova York, em 8 de dezembro de 1994, aos 67 anos. Sua obra, entretanto, permanece como uma das mais influentes da música brasileira e continua sendo revisitada por diferentes gerações de intérpretes.

 

De músico a protagonista dos palcos

Nascido em São Paulo, em 14 de outubro de 1978, Nando Pradho começou cedo sua relação com a música. Influenciado pelo jazz que ouvia em casa, interessou-se inicialmente pelo saxofone. Aos 13 anos, dedicava entre seis e oito horas diárias aos estudos do instrumento e, aos 14, já dava aulas em escolas e também em sua própria casa.

As apresentações em casas noturnas ajudaram a construir sua experiência como músico, enquanto sua versatilidade o levou a diferentes áreas artísticas. No início dos anos 2000, tornou-se um dos pioneiros dos musicais no Brasil, em um período em que ainda eram poucas as opções de formação específica para artistas interessados nesse gênero.

Sua carreira nos palcos ganhou projeção com grandes produções da Broadway montadas no Brasil e no México. Entre seus principais trabalhos estão “A Bela e a Fera”, “O Fantasma da Ópera”, “Miss Saigon”, “Jekyll & Hyde” e “Les Misérables”. Em 2017, mudou-se para o México, onde deu continuidade à carreira.

Além dos musicais, Pradho também atua como ator e dublador. Na televisão, participou de produções como “A Favorita”, da Globo, e “Cúmplices de um Resgate”, do SBT. No cinema, emprestou a voz aos personagens Gaston, de “A Bela e a Fera”, e Ernesto de la Cruz, de “Viva”.

Agora, ao retornar ao repertório de um compositor que marcou sua formação musical, o artista propõe uma leitura própria para canções que atravessaram gerações. Em vez de reproduzir as gravações originais, “Nando Pradho – 100 Anos de Tom Jobim” busca revelar novas nuances de melodias conhecidas e aproximar a experiência dos musicais da sofisticação da obra de um dos principais compositores brasileiros.

 

 

 

Nando Pradho – 100 Anos de Tom Jobim
Data: 10 de outubro, sábado, às 20h
Local: Teatro J. Safra
Endereço: Rua Josef Kryss, 318, Barra Funda, São Paulo - SP
Duração: 75 minutos
Classificação: Livre
Ingressos: Eventim