
Para quem disputa um concurso de beleza, a faixa pode representar apenas a primeira etapa. A participação gera fotos, entrevistas, torcida, bastidores e outros conteúdos que continuam circulando depois da competição. Em alguns casos, essa exposição acaba sendo aproveitada para abrir espaço em outras áreas do entretenimento.
Para o jornalista e estrategista de mídia Eduardo Graboski, que acompanha esse mercado desde 2013, a principal mudança está justamente na capacidade de transformar a participação em uma história que possa continuar depois da disputa.
“Eu costumo brincar que concurso é uma fábrica de subcelebridades. Não de forma pejorativa. É porque ele dá identidade para quem ainda está tentando encontrar espaço. Você pode ser bonita, comunicativa e ter milhares de seguidores. Mas qual é a história? Por que a mídia falaria de você hoje? O concurso cria esse ponto de partida”, explica.
A lógica passa pela própria dinâmica da competição. Ensaios, entrevistas, fotos, torcida, bastidores e o resultado criam acontecimentos que podem ser aproveitados tanto pela imprensa quanto pelas redes sociais. “Tudo isso vira conteúdo. E mídia precisa de movimento. É isso que oferecemos nos concursos”, afirma.
Nesse processo, a faixa deixa de ser apenas um reconhecimento e pode funcionar como uma forma de diferenciação. Para Graboski, apresentar-se com um título, entrevistas e matérias publicadas é diferente de chegar a uma seleção ou casting sem uma narrativa construída.
“Uma coisa é chegar numa seleção ou casting como mais uma modelo ou influencer. Outra é chegar com título, matérias publicadas, entrevistas, fotos e uma história já construída na mídia. Quem chega com isso, ganha força. As portas se abrem”, diz.
Apesar do potencial de visibilidade, Graboski ressalta que o concurso não garante uma carreira na televisão, em realities ou na publicidade. A participação, segundo ele, funciona como uma ferramenta que pode ser aproveitada de diferentes maneiras.
“Não existe milagre. Concurso nenhum garante televisão, reality ou sucesso. Ele é uma ferramenta, um caminho. Pode ser um atalho, gerar exposição e fazer a pessoa ser percebida”, explica.
A estratégia também pode ser utilizada por pessoas que já possuem alguma trajetória no meio artístico e precisam criar um novo assunto em torno de sua imagem.
“Muita gente que já está no meio artístico precisa de uma novidade. A mídia já contou as mesmas histórias daquela pessoa. O concurso cria um fato novo. E isso é positivo, é uma forma de se reposicionar”, afirma.
Para o jornalista, a repercussão posterior não depende necessariamente de quem vence. A maneira como cada participante trabalha a exposição pode ter peso maior do que o resultado da competição.
“Tem gente que perde o concurso e vira mais conhecida do que quem ganhou. A faixa ajuda. Mas o mais importante é o que você faz com ela”, diz.
A estética continua sendo parte importante dos concursos, mas deixou de ser o único elemento considerado quando o objetivo é construir uma presença pública. Comunicação, personalidade e capacidade de aproveitar a exposição também entram nessa equação.
“Beleza importa, claro. É um concurso de musas. Mas beleza sozinha não sustenta ninguém hoje. Precisa ter personalidade, comunicação e saber aproveitar a exposição. Tudo isso conta”, afirma Graboski.
É dentro dessa transformação do formato que projetos como o Musa Pop Brasil, nova aposta do jornalista, procuram aproximar a competição tradicional da lógica atual do entretenimento e das redes sociais.
Na avaliação de Graboski, enquanto houver pessoas buscando espaço na televisão, em realities, na publicidade ou na internet, os concursos continuarão encontrando espaço. “Porque ele oferece algo muito valioso: um motivo para começarem a falar de você.”
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