
A relação entre a saúde bucal e a qualidade do sono tem despertado atenção crescente entre profissionais da área da saúde. Em Petrolina, a cirurgiã-dentista Dra. Rosinéa Oliveira defende uma abordagem integrativa da odontologia para identificar alterações que podem comprometer a respiração durante o sono e, consequentemente, interferir na oxigenação cerebral, na disposição física e no desempenho cognitivo.
Com mais de 35 anos de atuação clínica à frente da Clínica CLINIS, a especialista afirma que alguns tratamentos voltados exclusivamente para resultados estéticos podem deixar de considerar aspectos funcionais da cavidade oral e das vias aéreas superiores. Segundo ela, a preservação da anatomia responsável pela passagem do ar deve fazer parte do planejamento odontológico, principalmente em pacientes que apresentam sintomas como cansaço persistente, dificuldade de concentração e sono não reparador.
De acordo com a Dra. Rosinéa Oliveira, alterações respiratórias durante o sono podem reduzir a oxigenação do cérebro e comprometer processos importantes de recuperação do organismo. O problema, segundo a especialista, muitas vezes passa despercebido e pode ser confundido com outras condições clínicas.
“A redução da oxigenação durante o sono interfere diretamente na recuperação do organismo. Muitas vezes, o paciente acredita que sofre apenas com ansiedade ou excesso de trabalho, quando existe também uma alteração respiratória que precisa ser investigada”, explica.
Estudos publicados na revista científica Frontiers in Sleep e dados do Estudo EPISONO, desenvolvido pelo Instituto do Sono, indicam que a Apneia Obstrutiva do Sono afeta mais de um terço da população adulta. A condição está associada à piora da qualidade do sono e pode influenciar memória, atenção, capacidade de concentração e desempenho nas atividades diárias.
Segundo a especialista, empresários, executivos e profissionais submetidos a elevados níveis de estresse estão entre os grupos que mais procuram atendimento por apresentarem sintomas relacionados ao cansaço crônico, muitas vezes sem suspeitar da existência de alterações respiratórias.
Para a cirurgiã-dentista, a busca por tratamentos estéticos não deve comprometer o funcionamento adequado das estruturas da boca e das vias aéreas.
“A busca por um sorriso bonito não pode comprometer o espaço necessário para a língua e para a passagem adequada do ar. A saúde respiratória deve caminhar junto com os resultados estéticos”, afirma.
Segundo a profissional, muitos pacientes recebem tratamentos voltados apenas ao controle dos sintomas, utilizando medicamentos para ansiedade, insônia ou crises de pânico, sem que a respiração durante o sono seja investigada de forma mais ampla.
“O sufocamento noturno pode ser confundido com outros transtornos. Por isso, uma avaliação funcional é fundamental para identificar a origem dos sintomas”, destaca.
A proposta defendida pela Dra. Rosinéa Oliveira reúne princípios da odontologia integrativa, da odontologia do sono e da terapia miofuncional para favorecer uma respiração mais eficiente e preservar a fisiologia das estruturas faciais.
Segundo a especialista, o Método Integre-SE, desenvolvido por ela, trabalha o reequilíbrio da dimensão vertical da face associado ao treinamento da musculatura orofacial, buscando melhorar a ventilação durante o sono.
“O Método Integre-SE busca restabelecer uma respiração mais eficiente durante o sono, permitindo que o organismo desempenhe adequadamente seus processos naturais de recuperação e descanso”, explica.
Ela ressalta que os casos mais complexos exigem acompanhamento interdisciplinar, envolvendo médicos do sono, neurologistas, psiquiatras e outros profissionais da saúde.
“A integração entre as diferentes áreas da saúde permite oferecer um tratamento mais completo e seguro para cada paciente, sempre respeitando critérios clínicos e científicos”, afirma.
Para a especialista, compreender a boca como parte de um sistema integrado amplia as possibilidades de prevenção e cuidado, contribuindo não apenas para a saúde bucal, mas também para a qualidade do sono, a preservação das funções cognitivas e a qualidade de vida.
Foto: Divulgação.