
A sexualidade de pessoas com deficiência ainda é cercada por tabus e estereótipos, tema que ganha espaço na televisão com a exibição de Assexybilidade. O documentário será apresentado pela TV Globo nesta segunda-feira, 21 de setembro, dentro do especial Falas de Acesso, exibido após o Estrelas da Casa, em uma edição que marca o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência.
Dirigido por Daniel Gonçalves, Assexybilidade aborda questões como desejo, relacionamentos, namoro, capacitismo e autonomia afetiva. A produção reúne depoimentos de pessoas com diferentes tipos de deficiência e procura questionar a ideia de que pessoas com deficiência seriam assexuadas ou não poderiam viver plenamente sua sexualidade.
O documentário também chama atenção pela participação de profissionais com deficiência em sua equipe de realização. A proposta é colocar essas pessoas não apenas como personagens, mas também como participantes da construção da narrativa sobre suas próprias experiências.
A exibição acontece justamente no Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro. A data coloca em evidência questões relacionadas à inclusão, acessibilidade e participação social, enquanto o documentário amplia essa discussão para a vida afetiva e sexual.
O especial Falas de Acesso integra a sexta edição do projeto Falas, que em 2026 passou a funcionar como uma plataforma voltada à conexão com documentaristas de diferentes regiões do Brasil. Ao longo do ano, a iniciativa apresenta produções relacionadas a diferentes temas sociais.
A escolha de Assexybilidade foi feita por um comitê formado majoritariamente por pessoas com deficiência, além de profissionais ligados às áreas de inclusão e acessibilidade, talentos, criadores e representantes de diferentes setores da Globo. Entre os integrantes estão a atriz Haonê Thinar, Juliana Caldas, Pedro Fernandes, Fernando Fernandes, Nathalia Santos, Bruna Ventura, Flavia Cintra e Jairo Marques.
Para Haonê Thinar, que participou da escolha da obra, a representação ganha importância quando as próprias pessoas com deficiência podem falar sobre suas experiências e ocupar o protagonismo das histórias apresentadas.
Ao abordar desejo, relacionamentos e autonomia afetiva, Assexybilidade amplia a discussão sobre representação de pessoas com deficiência no audiovisual. O documentário parte de experiências pessoais para tratar de situações que fazem parte da vida cotidiana, mas que ainda podem ser pouco discutidas quando envolvem pessoas com deficiência.
A produção também se relaciona com uma das propostas do projeto Falas, que busca apresentar diferentes realidades brasileiras por meio de documentários independentes. Em 2026, a iniciativa reúne especiais como Falas Femininas, Falas da Terra, Falas de Orgulho, Falas da Vida, Falas de Acesso e Falas Negras.
Com a exibição de Assexybilidade, a televisão leva ao público uma produção que coloca em primeiro plano uma dimensão da vida das pessoas com deficiência que frequentemente fica fora das representações tradicionais. O documentário utiliza relatos e experiências para discutir afetividade, sexualidade e os obstáculos provocados pelo capacitismo.