
A comédia O Diabo com Tetas, de Dario Fo e Franca Rame, chega ao Teatro Commune, em São Paulo, para uma apresentação única no dia 26 de setembro. Com direção geral de Augusto Marin, o espetáculo combina humor, crítica social, música, dança e elementos da Commedia dell’Arte para abordar temas como corrupção, justiça, hipocrisia moral, preconceito e julgamentos sobre as diferenças.
Escrita por Dario Fo em 1997, a peça acompanha uma situação tão absurda quanto provocadora: um diabo decide entrar no corpo de um juiz severo e moralista com a intenção de corrompê-lo. O plano, porém, dá errado e o demônio acaba incorporado à empregada do magistrado, desencadeando uma sucessão de confusões.
A partir desse ponto, a narrativa transforma o absurdo em instrumento de crítica. Cardeais corruptos, testemunhas falsas, servas e demônios movimentam a trama, enquanto a fragilidade das instituições e a corrupção aparecem expostas pelo humor. Embora tenha sido escrita há quase três décadas, a montagem procura ressaltar a atualidade do texto diante de crises éticas e políticas que continuam presentes na sociedade.
“Estamos muito satisfeitos com o sucesso de público e crítica dessa deliciosa comédia”, afirma Augusto Marin, que também integra o elenco. Segundo o diretor, a montagem ganha ainda um significado especial por ocorrer no ano em que se comemora o centenário de nascimento de Dario Fo. “Quisemos homenageá-lo com esse seu texto satírico, político e atual”, destaca.
A montagem utiliza recursos característicos da dramaturgia de Fo, como ironia, sarcasmo, máscaras, trocas de corpos, linguagem física, dança e o gramelô, linguagem inventada pelo dramaturgo. A proposta é aproximar a estrutura da Commedia dell’Arte de questões contemporâneas e da realidade brasileira.
O elenco reúne Augusto Marin, Armando Liguori Junior, Natalia Albuk, Carlos Capelette, Fabrício Garelli, Juliano Dip, Isabela Prado, Mariana Blanski e Fabio Godinho. As canções de Dario Fo foram recriadas por Sérvulo Augusto e são executadas ao vivo por Paulo Dantas e Pedro Mendes, que tocam sanfona, violão e percussão e também participam da encenação.
O espetáculo reúne atores que integram montagens do repertório da Commune, entre elas Ubu Rei, de Alfred Jarry, e Otelo, de John Mowat, além de convidados especiais. Entre eles está Carlos Capelette, reconhecido por sua trajetória no teatro brasileiro.
Homenagem a Dario Fo
Nascido em 1926 e morto em 2016, Dario Fo foi autor, diretor, ator, dramaturgo, pintor, cenógrafo, figurinista e militante político. Ao longo da carreira, escreveu e protagonizou mais de uma centena de farsas, comédias, músicas e monólogos. Entre suas obras está Mistério Bufo. Em 1997, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura.
A relação de Augusto Marin com o dramaturgo italiano vem de longa data. Em 1999, Marin entrevistou Fo e participou da exposição Bonecos com Raiva e Sentimento e da passeata Contra as Tragédias, realizada por Dario Fo e Franca Rame entre Brescia e Roma, na Itália.
A montagem de O Diabo com Tetas também presta homenagem à agente de Dario Fo na Itália, Domitilla Ruffo (in memoriam), além de reconhecer a colaboração da equipe da Agenzia Danesi Tolnay e da ABRAMUS.
O Diabo com Tetas
De Dario Fo e Franca Rame
26 de setembro, às 15h – apresentação única
Teatro Commune
Rua da Consolação, 1218, Consolação, São Paulo – SP.
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 95 minutos
Ingressos: Grátis (retirada de ingressos meia hora antes da apresentação)
Para alunos e professores de escolas públicas, ONGs e público em geral
Instagram @teatrocomunne
A trajetória da Commune
Fundada em 2003, a Commune desenvolve atividades de pesquisa, produção, formação e intercâmbio teatral. A companhia já recebeu prêmios e levou seus trabalhos a países como Portugal e Argentina.
Seu repertório inclui Ubu Rei, de Alfred Jarry, com participação de Esther Góes; Nem Todo Ladrão Vem para Roubar, de Dario Fo; Na Cama com Molière, inspirado em O Doente Imaginário; e Otelo, de Shakespeare, ambos com direção de John Mowat. A companhia também realizou Anti Comics, uma Paródia dos Super-Heróis, de Sonia Daniel, em coprodução internacional com apoio do IBERESCENA.
Em 2014, a Commune foi declarada Patrimônio Cultural do Município de São Paulo pelo CONPRESP. Desde 2005, é Ponto de Cultura e mantém o Projeto Teatro Cidadão, que já formou mais de 2 mil jovens por meio de oficinas e montagem de espetáculos.
O atual projeto, executado pela Commune, conta com apoio da FUNARTE e do Ministério da Cultura, com recursos oriundos de Emenda Parlamentar Federal, em conformidade com o Plano de Trabalho aprovado junto ao órgão concedente, observando os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, eficiência e transparência, bem como a Lei nº 13.019/2014, o Decreto nº 8.726/2016 e demais normas aplicáveis.
O projeto tem o apoio da Rede de Teatros e Produtores Independentes, que congrega 330 companhias e teatros.