
Se tem uma coisa que Priscila Senna sabe fazer é chegar chegando! E, no Rock in Rio, a cantora pernambucana fez isso levando para o Palco Favela muito mais do que música: levou sua história, suas raízes e a força do brega nordestino.
Neste Sábado (12), às 16h50, Priscila apresentou “No Alto da Minha História”, espetáculo criado especialmente para o festival. A apresentação marcou a entrada inédita do brega nordestino no line-up do Rock in Rio e transformou o palco em uma grande celebração à cultura pernambucana.
Maior nome do gênero na atualidade, com quase 2 bilhões de streams, a cantora revisitou uma trajetória que começou nos palcos da periferia do Recife e ganhou proporções nacionais. Para contar essa história, apostou em uma superprodução com cenografia, dramaturgia, coreografias, audiovisual, novos arranjos e três figurinos exclusivos. E o mais importante: sem deixar a essência do brega de lado.
Durante a apresentação, Priscila não escondeu a emoção de representar Pernambuco em um dos maiores festivais de música do mundo.
“Estou muito feliz de estar aqui representando o brega de Pernambuco, de Recife, pela primeira vez no Rock in Rio. Sendo a primeira a estar aqui nesse palco maravilhoso. Muito, muito, muito obrigada! O Brega Venceu!”, celebrou a cantora.
A proposta de “No Alto da Minha História” foi justamente apresentar a potência do gênero sem transformá-lo para se encaixar no festival.
“A nossa escolha foi não tentar transformar o brega em outra coisa para caber no Rock in Rio. Pelo contrário: foi mostrar a força que ele já tem. O espetáculo ganhou uma formação especial, novos arranjos e uma construção visual de grande escala, mas o coração continuou sendo o brega”, explica André Gress, diretor criativo e roteirista do espetáculo.
Até a configuração do palco ajudou a contar essa narrativa. A banda ficou na base da estrutura, representando as raízes da artista. Em um nível superior estava a formação clássica, enquanto Priscila ocupava o ponto mais alto, simbolizando sua ascensão.
O repertório também funcionou como uma viagem pela carreira da cantora. Entre os destaques estavam sucessos como “Alvejante”, “Novo Namorado”, “Cachorro Combina com Cadela” e “Rei das Mentiras”.
A apresentação também trouxe trabalhos mais recentes, como “Não Me Faça Chorar”, parceria com Pablo; “Cheio de Vontade”, com Anitta; “Pote de Ouro”, com Liniker; e “Doce Mel”, com Gusttavo Lima.
E não poderia faltar uma homenagem a um dos grandes responsáveis pela história do gênero. Priscila reverenciou o Rei do Brega, Reginaldo Rossi, com interpretações de “Leviana”, “Garçom” e “Em Plena Lua de Mel”.
O momento aproximou diferentes gerações e reforçou a conexão entre as raízes do brega e a nova fase vivida pelo gênero.
Para deixar a experiência ainda mais grandiosa, a produção encontrou espaço para aproximar o brega da música clássica.
Piano de cauda, harpa, violinos, viola, cello, baixo acústico e tímpano foram incorporados aos arranjos, criando novas texturas para as canções sem comprometer a identidade musical de Priscila.
A produção musical foi assinada por Júnior Cabeleira, com arranjos complementares de Lucas Corrêa.
Se a música ganhou uma superprodução, os figurinos também entraram no clima.
Priscila usou três looks criados exclusivamente para ela pela brasileira Silfar, com styling de Luiz Plinio e joias Saint Laurent. O investimento nas peças chegou a aproximadamente R$ 500 mil.
O destaque ficou para a capa usada na abertura do show. Criada para representar a trajetória da cantora, a peça também se tornou parte da cenografia.
O visual reuniu referências de Pernambuco, do brega e da família de Priscila, transformando o figurino em mais um elemento da narrativa apresentada no palco.
Os bastidores dessa jornada também ganharam um registro especial no minidocumentário "Do Recife ao Rock In Rio",d irigido por André Gress e Anselmo Troncoso.
A produção acompanha as origens da cantora no Recife e o processo de construção do espetáculo apresentado no festival.
No fim das contas, Priscila Senna transformou seu espaço no Rock in Rio em uma vitrine para Pernambuco e para um gênero que nasceu nas periferias e conquistou milhões de fãs pelo país.
Sem descaracterizar o brega, a cantora mostrou sua força, reverenciou quem abriu caminho e apresentou ao público uma versão grandiosa de uma história que começou no Recife.
E, no palco, a mensagem foi clara: o brega chegou ao Rock in Rio — com identidade, orgulho e muita personalidade.