
Celebrado em 28 de agosto, o Dia Nacional do Voluntariado chama atenção para uma prática que envolve milhões de brasileiros e diferentes formas de participação social. Em 2026, 35% da população com 16 anos ou mais afirmou realizar algum tipo de trabalho voluntário, o equivalente a cerca de 60 milhões de pessoas, segundo a Pesquisa de Voluntariado no Brasil 2001–2026, realizada pelo Datafolha.
Os dados também ajudam a entender o que leva as pessoas a dedicar tempo e conhecimento a ações voluntárias. A principal motivação continua sendo a solidariedade: 74% dos voluntários afirmaram que o desejo de ajudar outras pessoas é o principal motivo para participar dessas atividades em 2026. O índice vem crescendo ao longo dos anos e era de 69% em 2011.
Outro dado apontado pela pesquisa é o aumento da parcela de pessoas que buscam o voluntariado com a intenção de produzir algum impacto social. O percentual daqueles que afirmam participar para “fazer a diferença” ou “melhorar o mundo” passou de 5% em 2021 para 9% em 2026.
No Ceará, iniciativas desenvolvidas com apoio do Grupo HS – Health & Safe mostram como o trabalho voluntário pode alcançar públicos e necessidades distintas.
Com sede em Fortaleza, o grupo é liderado pelo farmacêutico Valmique Filho, enquanto Valmique Gomes ocupa a presidência do conselho. A atuação empresarial está ligada à representação de equipamentos para diagnóstico humano, veterinário e alimentar, mas também inclui ações de responsabilidade social realizadas em parceria com instituições.
Entre as iniciativas está o Amigos Voluntários em Ação (AVA), criado por amigos e idealizado pela professora Angélica Marinho. O projeto desenvolve atividades comunitárias nos bairros Serrinha e Barroso, com atenção principalmente a idosos e gestantes.
A iniciativa mantém ações como distribuição mensal de cestas básicas, ovos e kits de higiene para mais de 160 idosos cadastrados, além de alfabetização, atendimentos médicos gratuitos, distribuição de sopas e encontros semanais de acolhimento e escuta.
O trabalho também alcança o município de Redenção, no distrito de Antônio Diogo, onde está prevista uma ação especial voltada ao Dia das Crianças.
Na área da saúde, o voluntariado também está presente na Associação Peter Pan, instituição dedicada ao atendimento de crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer e ao suporte de suas famílias.
Em 2025, a entidade contabilizou mais de 12 mil horas de trabalho voluntário, somando 65.688 assistências. A instituição também acompanhou mensalmente mais de 1.300 famílias por meio de 16 programas relacionados à promoção da saúde.
Outra frente é o Instituto do Câncer do Ceará (ICC), por meio da Casa Vida. O espaço oferece hospedagem, alimentação, apoio emocional e acompanhamento multiprofissional a pacientes oncológicos do SUS, principalmente pessoas em situação de vulnerabilidade social e pacientes que precisam se deslocar do interior para realizar tratamento em Fortaleza.
Atualmente, mais de 120 pessoas são acolhidas diariamente com hospedagem e alimentação gratuitas. A instituição registra cerca de 280 mil atendimentos mensais e conta com doações da sociedade para manter as atividades.
O esporte também aparece entre as iniciativas apoiadas pelo Grupo HS. O Projeto Judô Dangai oferece aulas gratuitas para crianças e adolescentes na sede da 5ª Companhia do 1º Batalhão, no Conjunto Ceará.
A proposta utiliza o judô como instrumento de formação, contribuindo para aspectos como disciplina e desenvolvimento dos jovens.
Ainda no campo esportivo, a Associação Desportiva e Cultural Força Viva passou recentemente a contar com o apoio do grupo em ações relacionadas à prática de atividades físicas e ao futebol.
Para Carolina Geraldo, gerente de Marketing do Grupo HS, a cultura de solidariedade também se reflete dentro da própria empresa. Segundo ela, colaboradores passaram a participar e atuar como multiplicadores em outros projetos.
“O fundador Valmique Gomes sempre teve esse olhar para o próximo, um cuidado que passou a ser tocado pelo atual CEO Valmique Filho. As ações envolvem crianças, adolescentes, gestantes e idosos, assistidos por diversas entidades em Fortaleza e no interior”, afirma.
A pesquisa Datafolha mostra ainda que as empresas aparecem entre os caminhos utilizados pelos brasileiros para chegar ao trabalho voluntário. Em 2026, 4% dos voluntários disseram ter chegado às atividades por meio de empresas, enquanto 83% afirmaram realizar as ações por conta própria.
Apesar de a participação empresarial ter recuado em relação a 2021, quando representava 10%, a atuação das companhias junto a instituições sociais continua sendo uma das possibilidades de aproximação entre trabalhadores e projetos voluntários.
Para Silvia Naccache, coordenadora da pesquisa, o voluntariado empresarial mantém relevância nesse processo. “O voluntariado empresarial mostra que essa continua sendo uma importante porta de entrada para o engajamento social. Em um país onde cresce a disposição das pessoas para participar, as empresas têm a oportunidade de liderar esse movimento”, avalia.
O levantamento também apresenta um perfil dos brasileiros que atualmente realizam trabalho voluntário.
Entre os voluntários ativos em 2026, 51% são mulheres e 49% são homens. A idade média é de 45 anos, enquanto a faixa entre 45 e 59 anos representa 29% do total.
Em relação à escolaridade, 38% possuem ensino médio, 36% têm ensino fundamental e 30% chegaram ao ensino superior. A maioria, 71%, integra a população economicamente ativa.
Quanto à renda familiar, 53% dos voluntários vivem com até dois salários-mínimos.
A pesquisa aponta ainda que 47% se autodeclaram pardos, 34% brancos e 15% pretos. No recorte religioso, 91% dos voluntários ativos afirmam ter uma religião, sendo 48% católicos e 29% evangélicos.
Os números mostram que o voluntariado está presente em diferentes grupos da sociedade e pode assumir formatos diversos. Seja por meio de iniciativas individuais, organizações sociais ou ações apoiadas por empresas, a prática segue encontrando na solidariedade uma de suas principais forças de mobilização.