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Exercícios podem ajudar no controle dos sintomas do lipedema

Caminhada, musculação e atividades na água favorecem mobilidade, circulação e qualidade de vida de pacientes

Jacson Gonçalves
Por: Jacson Gonçalves
25/08/2026 às 06h06
Exercícios podem ajudar no controle dos sintomas do lipedema
Foto: Divulgação

Movimentar o corpo pode fazer diferença na rotina de quem convive com o lipedema. A prática regular de exercícios físicos pode auxiliar no controle de sintomas como sensação de peso, desconforto e dificuldade de mobilidade, além de contribuir para a circulação, o fortalecimento muscular e a qualidade de vida. Segundo o profissional de Educação Física Luiz Fernando Lukas, a atividade deve ser adaptada às características e aos limites de cada pessoa.

O lipedema é uma doença crônica caracterizada pela distribuição anormal de tecido adiposo, principalmente nas pernas e, em alguns casos, nos braços. A condição apresenta características diferentes da gordura corporal comum e pode estar associada a dor, sensibilidade, inchaço e facilidade para o aparecimento de hematomas.

Por essas características, o lipedema não deve ser tratado apenas como uma questão estética ou relacionado exclusivamente à alimentação e à prática de exercícios.

De acordo com Luiz Fernando Lukas, a atividade física pode contribuir para diferentes aspectos da condição. “O exercício ajuda a melhorar a circulação, favorecer o retorno venoso e linfático, fortalecer a musculatura, melhorar a mobilidade e contribuir para a redução da sensação de peso e desconforto. Além disso, o fortalecimento muscular ajuda a melhorar a capacidade funcional, a autonomia e a qualidade de vida”, explica.

Atividades precisam ser adaptadas

Entre as opções que podem fazer parte de uma rotina de exercícios estão caminhada, bicicleta, atividades na água e musculação. A escolha, porém, deve considerar as características individuais de cada pessoa.

“A escolha deve levar em consideração as características, os sintomas, o condicionamento físico e os limites de cada pessoa”, detalha Luiz Fernando Lukas.

Um dos pontos destacados pelo profissional é o trabalho da musculatura das panturrilhas. A região participa do retorno do sangue das pernas em direção ao coração por meio do mecanismo conhecido como bomba muscular.

“Um ponto especialmente importante é a ativação da musculatura das panturrilhas, que funciona como uma importante ‘bomba muscular’, auxiliando o retorno do sangue das pernas em direção ao coração. Por isso, exercícios que promovam o movimento dos tornozelos e a contração da musculatura da panturrilha devem fazer parte de uma estratégia de treinamento bem planejada”, afirma.

Intensidade deve respeitar os limites

Nem toda atividade precisa ser realizada da mesma maneira por todas as pessoas com lipedema. Exercícios de maior impacto podem exigir adaptações quando provocam dor, desconforto ou sobrecarga nas articulações.

“Não existe um único modelo de exercício ideal para todas as pessoas com lipedema. Atividades de maior impacto, como corridas e saltos, podem precisar de adaptações quando provocam dor, desconforto ou sobrecarga articular. Da mesma forma, o treinamento de força deve ser individualizado, com volume, intensidade e cargas adequados à capacidade de cada pessoa”, explica Lukas.

O planejamento também deve considerar a evolução do condicionamento físico. A progressão gradual permite ajustar o treinamento conforme a resposta de cada pessoa aos exercícios.

Para o profissional, a regularidade é um dos principais pontos para manter a atividade física na rotina. “O mais importante é encontrar uma rotina de exercícios que seja regular, progressiva, segura e prazerosa. A orientação de profissionais que conheçam o lipedema é muito importante para adaptar o treinamento às necessidades de cada indivíduo”, afirma.

Luiz Fernando Lukas é profissional de Educação Física, personal trainer e pós-graduado em Musculação e Treinamento de Força.

O exercício não elimina o lipedema, mas pode atuar como parte da estratégia de controle dos sintomas, manutenção da capacidade física e melhora da qualidade de vida. A definição do treinamento deve considerar as condições individuais e, quando necessário, contar com acompanhamento de profissionais capacitados.