
Nascido em Catalão, Victor Fernandes Camilo, 32 anos, cresceu dentro das Congadas. O envolvimento com a tradição começou ainda antes de completar um ano de vida: aos 10 meses, participou pela primeira vez da festa em devoção a Nossa Senhora do Rosário, no município. Desde então, os cortejos, os rituais e a relação com a manifestação cultural passaram a fazer parte de sua história.
A ligação com as Congadas também está presente em sua família. Seu pai, Eduardo Camilo, ocupa o cargo de general da festa, enquanto primos de Victor desempenham as funções de rei e rainha. A tradição, dessa forma, atravessa diferentes gerações e permanece presente no cotidiano familiar.
Ao longo dos anos, o que começou ainda no colo se transformou em uma forma de pertencimento. Victor acompanhou diferentes momentos das Festas do Rosário, realizadas tradicionalmente em outubro, e viu a manifestação permanecer viva dentro da própria família.
“Eu cresci vendo meus familiares envolvidos, participando e mantendo essa história. Então, para mim, não é algo que acontece somente durante a festa. É uma parte da minha vida, daquilo que eu sou”, afirma.
Fé, memória e ancestralidade
Para Victor, participar das Congadas vai além da devoção religiosa. A manifestação também representa uma maneira de preservar a memória e a ancestralidade de seu povo.
A experiência acumulada desde a infância fez com que a participação nos cortejos assumisse diferentes significados ao longo do tempo. O que começou como uma presença ainda criança tornou-se também um compromisso com a continuidade de uma tradição que atravessa gerações.
“Desde então eu venho dançando, honrando a Nossa Senhora, com fé, com devoção. E é isso, representando também um pouco da cultura do meu povo, trazendo essa ancestralidade, não deixando morrer”, conta.
Um compromisso com as próximas gerações
No último sábado (15), Victor acompanhou as apresentações do 3º Encontro Estadual de Congadas, realizado em Catalão durante a celebração dos 150 anos da tradição no município.
Realizado em agosto, o encontro integra uma proposta de reunir guardas congadeiras e valorizar a manifestação em um período que antecede as tradicionais Festas do Rosário, realizadas em outubro.
A presença de Victor em iniciativas como essa também se relaciona ao desejo de manter o conhecimento e os costumes ligados às Congadas próximos das novas gerações.
Para ele, preservar a tradição significa também garantir que aqueles que vierem depois possam conhecer, vivenciar e compreender a importância dessa manifestação para a história de seu povo.
“Essa nova geração que vem tem essa responsabilidade. Eu me sinto na obrigação de estar transmitindo isso aí pra frente”, afirma.
A trajetória de Victor é marcada, portanto, por uma relação que começou antes mesmo de suas primeiras lembranças e que continua sendo construída dentro da família e da própria comunidade. Entre fé, cultura e ancestralidade, as Congadas permanecem como parte essencial de sua identidade e como uma tradição que ele busca ajudar a manter viva.